Zé Mário Schreiner vai assumir coordenação-geral da campanha de Daniel Vilela

Presidente da Faeg deve anunciar apoio à reeleição do governador e será responsável por aproximar a campanha das principais lideranças do agronegócio em Goiás.
Após semanas de expectativa sobre seu posicionamento nas eleições de Goiás, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner (PSD), deve anunciar nos próximos dias apoio à reeleição do governador Daniel Vilela (MDB). O movimento vai além de uma simples declaração de voto: Zé Mário deverá assumir a coordenação-geral da campanha do governador.
A escolha representa um importante reforço político para Daniel, principalmente pela capacidade de articulação de Zé Mário junto ao setor produtivo. Ex-deputado federal e uma das principais lideranças do agronegócio goiano, ele poderá desempenhar papel estratégico na construção de pontes entre a campanha governista e produtores rurais, entidades classistas e lideranças do interior.
O cargo de coordenador-geral ainda está oficialmente vago. Os detalhes da participação de Zé Mário na campanha devem ser definidos em reunião com Daniel Vilela nesta quinta-feira. A intenção do grupo governista era anunciar o acordo ainda nesta semana, mas o presidente da Faeg prefere ganhar tempo para organizar a mobilização das lideranças do agro para o ato político.
A aproximação ganha peso diante do cenário que antecedeu a decisão. Depois de ser preterido na composição da chapa de Daniel para a vice-governadoria, Zé Mário passou a ser cortejado pela oposição. Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais chegaram a procurá-lo na tentativa de atraí-lo para seus projetos eleitorais.
Marconi, inclusive, chegou a oferecer a Zé Mário a possibilidade de disputar como seu vice, com a perspectiva de uma filiação ao PRTB. A movimentação demonstrava o tamanho do interesse da oposição em conquistar o apoio de uma liderança com forte trânsito no agronegócio.
Zé Mário, porém, optou por permanecer ao lado de Daniel. A decisão representa uma sinalização importante para o setor produtivo e fortalece a campanha do governador em uma área considerada estratégica para a economia e para a política de Goiás.
Para assumir a coordenação da campanha, Zé Mário deverá novamente se licenciar da presidência da Faeg. Ele já havia deixado temporariamente o comando da entidade justamente para participar das articulações em torno da escolha do vice de Daniel. Com a definição da chapa, retornou à presidência há pouco mais de 20 dias.
Agora, fará o caminho inverso: deixa novamente a Faeg para entrar de cabeça na campanha eleitoral.
Politicamente, a escolha também produz uma leitura interessante. Zé Mário é filiado ao PSD, mesmo partido de Ronaldo Caiado, mas o novo acordo é apresentado por seus aliados como uma decisão construída diretamente com Daniel Vilela.
A relação entre Zé Mário e Caiado continua marcada por divergências e, segundo pessoas próximas ao presidente da Faeg, o apoio a Daniel não significa necessariamente uma reaproximação com o ex-governador.
Esse detalhe é relevante porque separa duas relações políticas distintas. De um lado, Zé Mário mantém sua ligação partidária com o PSD; de outro, estabelece uma parceria eleitoral com Daniel Vilela. A escolha mostra que a política goiana está sendo construída cada vez mais a partir de alianças pessoais e projetos estaduais, independentemente das fronteiras partidárias.
Para Daniel, a chegada de Zé Mário à coordenação-geral pode representar um ganho importante de musculatura para a campanha. Mais do que um apoiador, o governador incorpora ao seu comando eleitoral uma liderança com capacidade de diálogo e mobilização dentro de um dos setores mais influentes de Goiás.
A oposição tentou levar Zé Mário para suas fileiras. Não conseguiu. Agora, o ex-deputado se prepara para ocupar uma posição central na campanha de Daniel Vilela.
A escolha reforça a estratégia do governador de ampliar alianças e demonstra que, apesar das divergências ocorridas durante a formação da chapa, Daniel conseguiu preservar uma relação política capaz de transformar um possível adversário em um dos principais articuladores de sua campanha.







