
Presidenciáveis escolheram territórios simbólicos para a largada da disputa; Lula apostou no ABC, Flávio em Copacabana e Caiado iniciou a caminhada justamente em Goiás
A corrida pelo Palácio do Planalto começou neste domingo (16) com os principais candidatos escolhendo cuidadosamente o cenário de seus primeiros atos de campanha. Mais do que uma questão logística, a escolha dos locais revela a estratégia de cada candidatura e o eleitorado que pretende mobilizar.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu a campanha em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, região que se confunde com sua própria trajetória política e sindical. O comício ocorreu no Estádio da Vila Euclides, espaço marcado pelas mobilizações operárias do fim dos anos 1970 e início dos anos 1980.
Já Flávio Bolsonaro (PL) escolheu a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, um dos principais palcos das manifestações bolsonaristas nos últimos anos. O ato reforçou a estratégia de manter a campanha vinculada ao legado político de Jair Bolsonaro. Flávio defendeu o pai, prometeu dar continuidade ao seu projeto e colocou segurança pública entre os principais temas de seu discurso.
Ronaldo Caiado (PSD) fez uma escolha diferente, mas igualmente simbólica: voltou para Goiás, Estado que governou entre 2019 e março de 2026. O candidato percorreu municípios do Entorno do Distrito Federal — Águas Lindas, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso, Cidade Ocidental e Luziânia — em uma demonstração de força política justamente no território onde construiu sua mais recente trajetória eleitoral.
A largada de Caiado tem ainda um significado adicional. Goiás é hoje uma das principais vitrines de seu discurso de gestão, especialmente nas áreas de segurança pública, saúde, educação e equilíbrio fiscal. Ao começar a campanha no Estado, o candidato tenta transformar seu histórico administrativo local em credencial para a disputa nacional.
O movimento também evidencia a importância do Entorno do Distrito Federal. A região, além de concentrar um eleitorado expressivo, possui problemas que dialogam diretamente com as bandeiras que Caiado pretende levar para o plano nacional, como segurança, mobilidade, emprego e integração entre governos.
No discurso, Caiado reforçou sua oposição ao PT e afirmou que disputa a eleição para “tirar o PT do poder”. Também declarou que não apoiará Lula em um eventual segundo turno caso fique fora da disputa, contrariando declaração recente do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, sobre a aproximação de partidos do Centrão com o presidente.
A primeira movimentação dos candidatos deixa, portanto, uma fotografia interessante da eleição: Lula recorre à memória de sua origem política; Flávio Bolsonaro aposta na força simbólica do bolsonarismo; e Caiado tenta transformar Goiás em cartão de visitas de sua experiência administrativa.
A partir de agora, o desafio será sair dos redutos tradicionais e conquistar o eleitor que ainda não escolheu lado. É nesse eleitorado, menos identificado com as marcas políticas de cada candidato, que provavelmente estará uma parte decisiva da disputa presidencial de 2026.







