
Mostra “Ibitinga: Palco da Fé” resgata a história das celebrações religiosas, da Via Sacra ao Corpus Christi, valorizando o patrimônio imaterial da cidade
A fé que movimenta gerações, transforma ruas em obras de arte e mantém viva a identidade cultural de Ibitinga que agora ganha espaço em uma exposição inédita no Museu Municipal Duílio Galli, também conhecido como Museu do Bordado. A mostra estará aberta ao público todos os dias, até 4 de junho, das 9h às 16h, e, no dia de Corpus Christi, das 8h às 15h. “Ibitinga: Palco da Fé” convida moradores e visitantes a mergulharem na história das tradições religiosas que moldaram a vida social, cultural e artística do município ao longo das décadas.
A exposição reúne pesquisa histórica, documentos, relatos, objetos e referências visuais que ajudam o público a compreender como celebrações como a Via Sacra, o Corpus Christi e as tradicionais quermesses se tornaram símbolos da identidade ibitinguense. A iniciativa também reforça o papel do Museu como espaço de preservação do patrimônio imaterial da cidade.
Segundo a historiadora e curadora da exposição, Júlia Mergulhão Estronioli, o projeto busca ampliar o olhar sobre manifestações que vão além do aspecto religioso: “A exposição mostra como a fé ajudou a organizar a vida comunitária de Ibitinga ao longo do tempo. Essas celebrações revelam memórias afetivas, relações sociais, produção artística e até a própria construção da identidade cultural da cidade”, afirma Júlia.
Um dos destaques da mostra é o resgate da história da encenação da Via Sacra ao Vivo, tradição iniciada em 1982 sob a coordenação do Padre Eutímio, que narrava as cenas estáticas e que, até hoje, mobiliza centenas de voluntários da comunidade. O material relembra a trajetória do Grupo de Teatro Bom Jesus, a participação histórica de moradores e a importância da manifestação como expressão de cultura popular e pertencimento coletivo.
“A encenação funciona como uma poderosa liga social: são vizinhos, amigos e familiares que se mobilizam voluntariamente, demonstrando que o rito pertence ao povo. É o indivíduo que, ao emprestar suas mãos para criar um adereço ou seu corpo para figurar uma cena, fortalece os laços de pertencimento”, reforça Júlia.
Outro eixo importante da exposição aborda o Corpus Christi de Ibitinga, que, neste ano, celebra sua 46ª edição. Conhecido nacionalmente pelos tapetes produzidos com bordados e enxovais, o evento ganhou características próprias a partir de 1981, quando se optou por transformar a principal vocação econômica da cidade em expressão artística e religiosa, consolidando uma das imagens mais emblemáticas do turismo local.
“Hoje, a procissão percorre cerca de dez quarteirões no entorno da Praça Rui Barbosa. O que se vê sobre o asfalto é um reflexo da evolução de Ibitinga: do bordado artesanal feito à mão às modernas produções industriais. São colchas, caminhos de mesa, enxovais de bebê e artigos de decoração que saem das casas e fábricas para formar um mosaico de cores e texturas”, explica a historiadora.
Para Janaia Fabri Pasqualini, empresária e presidente da Associação Comercial e Industrial de Ibitinga (ACII), entidade gestora da CPL do Bordado, a exposição também evidencia a conexão entre o bordado e a identidade cultural da cidade: “O bordado em Ibitinga vai muito além da produção têxtil. Ele faz parte da nossa memória, das nossas famílias e das nossas manifestações culturais. Ver essa tradição retratada dentro de um contexto histórico e artístico fortalece ainda mais o orgulho que temos da nossa cidade”, destaca.
Além das grandes celebrações religiosas, a mostra também percorre tradições populares como procissões, quermesses rurais e o calendário litúrgico, que influencia a organização social do município até os dias atuais. A exposição “Ibitinga: Palco da Fé” é realizada pelo Museu Municipal Duílio Galli e integra o trabalho de valorização da memória cultural e das tradições que atravessam gerações no município.
Foto: Divulgação







