O peso de um vice

A escolha de um candidato a vice-governador nunca é um detalhe. É um recado. E, em Goiás, as chapas montadas para a disputa deste ano revelam muito mais sobre as fragilidades e ambições dos candidatos do que propriamente sobre seus pontos fortes.
Daniel Vilela apostou na experiência de Luiz do Carmo. A leitura é simples: em uma campanha que busca transmitir estabilidade e continuidade administrativa, o MDB preferiu um nome sem arestas, capaz de ampliar pontes com o PSD e o setor produtivo. Não é um vice para ganhar votos sozinho, mas para evitar perdas e fortalecer alianças.
Marconi Perillo fez um movimento diferente. Ao buscar um nome ligado ao agronegócio, tenta diminuir uma resistência histórica justamente no segmento mais influente da economia goiana. É uma escolha de reposicionamento político. O problema é que vice não apaga passado. A estratégia pode abrir portas, mas dificilmente mudará, por si só, a percepção consolidada de parte do eleitorado.
Wilder Morais preferiu o simbolismo. Ao trazer Ana Paula Rezende para a chapa, aposta no peso do sobrenome Iris Rezende. É uma tentativa clara de dialogar com um eleitor que ultrapassa as fronteiras do PL. Resta saber se o legado político é transferível ou se permanece apenas como lembrança afetiva.
No fim das contas, vice bom não faz milagre. Mas vice ruim pode custar uma eleição. Em campanhas cada vez mais equilibradas, a vaga deixou de ser prêmio de consolação. Hoje, ela representa estratégia, mensagem e, principalmente, cálculo político.






