
Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, conquistou a única vaga reservada a candidatos quilombolas na seleção do Itamaraty. Formada pela UFG, ela se preparou em Simolândia, no Nordeste goiano, e estudou inglês por conta própria diante da falta de acesso a cursos especializados.
A goiana Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, entrou para a história da diplomacia brasileira ao se tornar a primeira pessoa quilombola aprovada no concurso de admissão à carreira diplomática. Integrante da comunidade quilombola do Retiro, em Simolândia, no Nordeste de Goiás, ela conquistou a única vaga reservada a candidatos desse grupo na seleção de 2026 do Instituto Rio Branco, ligado ao Ministério das Relações Exteriores.
Formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Helen agora se prepara para ingressar na formação diplomática e iniciar a trajetória profissional que pretende levar até o posto de embaixadora, o mais alto da carreira.
A conquista ocorreu no primeiro concurso para diplomatas realizado sob as regras da nova legislação federal de cotas, que passou a reservar vagas também para indígenas e quilombolas. Para Helen, a aprovação ultrapassa o resultado individual e representa a possibilidade de ampliar a presença de comunidades historicamente pouco representadas em espaços de decisão.
Preparação no interior e estudo por conta própria
Depois de concluir a graduação, em 2025, Helen voltou para Simolândia para se dedicar à preparação para o concurso. A distância dos grandes centros e a falta de acesso a cursos especializados foram alguns dos principais obstáculos.
Sem professores de inglês com formação adequada disponíveis na região, ela precisou estudar o idioma por conta própria, além de buscar materiais para dominar os conteúdos exigidos na seleção.
A trajetória também foi marcada por dúvidas sobre a escolha profissional. Durante a graduação, Helen chegou a pensar em abandonar Relações Internacionais e se afastou temporariamente do objetivo de ser diplomata. O interesse pela carreira voltou a crescer quando cursou a disciplina de Política Externa Brasileira.
O incentivo inicial veio ainda em 2017, quando um professor de um curso preparatório para vestibular sugeriu que ela considerasse a diplomacia como possibilidade profissional.
A força da representatividade quilombola
Helen afirma que a aprovação tem um significado coletivo. Para ela, ocupar um espaço na diplomacia brasileira também é uma forma de dar visibilidade à história e às experiências das comunidades quilombolas.
A jovem destacou que muitos grupos tradicionais ainda têm pouca representação em instituições públicas e em posições de destaque na sociedade. Por isso, considera uma honra abrir caminho para outras pessoas que compartilham uma trajetória semelhante.
A inspiração para seguir estudando também vem da família, especialmente da avó, que sempre valorizou a educação e incentivou os filhos a buscar formação superior.
A conquista de Helen evidencia como o acesso à educação, as políticas de inclusão e a persistência individual podem contribuir para ampliar a diversidade em carreiras públicas de alta qualificação.
Concurso exige preparação multidisciplinar
O Concurso de Admissão à Carreira Diplomática é organizado pelo Instituto Rio Branco e está entre os processos seletivos mais exigentes do serviço público federal. A seleção inclui avaliações de áreas como História do Brasil, Política Internacional, Economia e Direito, além de outras disciplinas fundamentais para a atuação diplomática.
A edição de 2026 ofereceu 60 vagas para o cargo inicial de terceiro-secretário. Uma delas foi reservada a candidatos quilombolas, e Helen obteve a aprovação nessa modalidade.
O salário inicial previsto no edital é de aproximadamente R$ 22,5 mil brutos. Após a aprovação, os candidatos ingressam no Curso de Formação de Diplomatas, etapa necessária para o exercício da carreira.
Sonho de representar o Brasil no exterior
O objetivo de Helen é chegar ao posto de embaixadora, mas ela afirma que sua prioridade é se tornar uma boa diplomata e representar a diversidade brasileira nas relações internacionais.
A carreira envolve representar os interesses do país no exterior, participar de negociações com outros governos e atuar em organismos internacionais. Para Helen, fazer parte desse trabalho também significa levar a história das comunidades quilombolas a espaços onde elas raramente estiveram presentes.
A aprovação transforma a trajetória da jovem goiana em um marco para a diplomacia brasileira e amplia as perspectivas de representatividade no serviço público federal.







