Dia dos Avós: especialistas mostram como pequenos movimentos do dia a dia protegem a autonomia na terceira idade
Estudo estima que 3,5 milhões de idosos estão em alto risco de quedas, mas hábitos simples como caminhar, cuidar do jardim e brincar com os netos ajudam a preservar equilíbrio, memória e independência
Ir à padaria a pé, cuidar do jardim ou correr atrás dos netos no quintal parecem gestos simples, mas estão entre os hábitos mais eficazes para garantir uma velhice mais longa, autônoma e com a mente ativa. Mais do que exercício físico, esse tipo de movimento cotidiano ajuda a promover a neuroplasticidade, proteger a memória e prevenir quedas, três fatores diretamente ligados à autonomia do idoso. A data reforça essa conversa: neste 26 de julho, Dia dos Avós, especialistas chamam atenção para o papel do movimento diário na qualidade de vida da terceira idade.
O tema ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento acelerado da população brasileira. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o país tem hoje 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, 10,9% da população, a maior proporção desde 1980, com expectativa de vida média de 77 anos.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e publicado na revista científica European Geriatric Medicine estima que cerca de 3,5 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais podem estar em alto risco de quedas. O trabalho, que usou dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) com mais de 7,5 mil participantes, mostrou que perguntas simples, como saber se o idoso sente medo de cair ou percebe instabilidade ao caminhar, quadruplicam a identificação de pessoas em risco intermediário, quando comparadas aos métodos tradicionais, que consideram apenas o histórico de quedas anteriores.
O tema tem peso real: segundo dados do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), um em cada quatro idosos sofre pelo menos uma queda por ano no Brasil, número que sobe para 40% entre os maiores de 80 anos. A fratura de fêmur, uma das consequências mais graves, tem taxa de mortalidade de 30% no primeiro ano após o acidente. Por trás desses números está uma mensagem que os especialistas repetem: queda não é “coisa de idade”, é, em grande parte, algo que pode ser evitado com atividade física regular e pequenos ajustes no ambiente doméstico.
Corpo em movimento, mente protegida
“O cérebro continua sendo capaz de criar novas conexões ao longo da vida, um processo chamado neuroplasticidade. A atividade física é um dos principais estímulos para esse mecanismo, porque desafia o corpo e a mente ao mesmo tempo. Cada caminhada, exercício de equilíbrio ou atividade cotidiana ajuda a preservar funções cognitivas, melhora a coordenação motora e contribui para que o idoso mantenha sua independência por mais tempo”, afirma o Prof. Dr. Giuliano Dimarzio, médico da Família e Comunidade e professor da Faculdade São Leopoldo Mandic.
Uma revisão da Cochrane (Exercise for preventing falls in older people living in the community) é categórica ao demonstrar que os exercícios que efetivamente reduzem a taxa e o risco de quedas são aqueles focados em equilíbrio e treinamento funcional (exercícios multicomponentes). Caminhar ou cuidar do jardim são excelentes para a saúde geral e neuroplasticidade, mas a caminhada isolada não tem impacto significativo na prevenção primária de quedas — e pode até aumentar o risco se o idoso for frágil e não treinar o equilíbrio simultaneamente.
E não podemos esquecer de outro fator importante: a necessidade de abordar a Polifarmácia (uso de mais de 4 remédios). “Na prática clínica, sabemos que há necessidade constante no ajuste da revisão de medicações para a prevenção de quedas”, explica o médico. “Remédios tem indicações, contraindicações e momentos que devem ser prescritos e também retirados. A “desprescrição” (especialmente de psicotrópicos, sedativos e ajustes de anti-hipertensivos) é uma das intervenções clínicas com maior nível de evidência para manter o idoso seguro”, diz ele.
Segurança em casa: pequenos ajustes, grande impacto
Pequenos ajustes no ambiente doméstico completam essa proteção. Remover tapetes soltos ou fixá-los bem ao chão, instalar barras de apoio no banheiro, garantir boa iluminação em corredores e escadas e manter fios e objetos fora da passagem são medidas simples que eliminam boa parte dos riscos domésticos. Usar calçados fechados e antiderrapantes dentro de casa, evitando andar de meia ou chinelo solto, e priorizar camas e sofás em altura que facilite sentar e levantar sem esforço completam os cuidados recomendados pelos especialistas.
Envelhecer de forma independente não exige mudanças drásticas, mas sim o cuidado de manter o corpo ativo diariamente e atenção à segurança dentro de casa. Pequenas decisões, repetidas com constância, sustentam a autonomia e a confiança do idoso dentro e fora de casa.
“Não é preciso transformar a rotina do dia para a noite. O que protege a autonomia do idoso é a soma de pequenos movimentos repetidos todos os dias, como ir à padaria a pé ou brincar com os netos no quintal. Esse é o presente mais simples que um avô ou uma avó pode dar a si mesmo neste Dia dos Avós“, conclui o Dr. Giuliano Dimarzio.
Sobre a São Leopoldo Mandic
Considerada, por 15 anos consecutivos, uma das dez melhores instituições de ensino superior do país segundo o Índice Geral de Cursos (IGC) do MEC, a Faculdade São Leopoldo Mandic, de Campinas, reúne, em seu corpo docente, professores doutores com vasta produção científica formados pelas melhores instituições de ensino do Brasil e do exterior. Estruturada com laboratórios de última geração, clínicas odontológicas completas, cenários de prática em hospitais e Unidades Básicas de Saúde conveniados, a instituição oferece aos alunos vivência prática nos cursos de Odontologia e de Medicina desde o 1º ano, bem como atividades de pesquisa e prestação de serviços comunitários. Dispõe de laboratórios de simulação realística, recursos modernos para diagnóstico e treinamento e HUB de inovação, que estão a serviço dos cursos de graduação e pós-graduação. Conta também com projetos de extensão como o Barco da Saúde, que leva atendimento médico e odontológico às comunidades carentes. A Faculdade São Leopoldo Mandic faz parte do Grupo Mandic, que possui outras nove unidades de pós-graduação distribuídas pelo país e uma em Portugal. Também fazem parte do Grupo mais três Faculdades de graduação em Medicina, nas cidades de Araras-SP, Limeira-SP e a Faculdade de Medicina do Sertão (FMS) em Arcoverde-PE.
Fonte: Assessoria de Imprensa Grupo Mandic Brasil






