Jogo do Tigrinho: servidores são suspeitos de desviar recursos da educação para apostas, diz Secretaria

Corregedoria abriu 15 processos de investigação sobre os desvios de dinheiro público. Em apenas uma das escolas, os valores foram retirados durante três meses e chegaram a R$ 90 mil.
Servidores estaduais da Educação de Goiás são suspeitos de desvio de recursos de escolas para uso em jogos on-line de apostas, entre eles o chamado “Jogo do Tigrinho”. De acordo com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), os casos foram descobertos por meio de uma investigação que ainda está sendo realizada pela corregedoria da pasta. Os servidores foram afastados.
Segundo a Seduc, atualmente há cerca de 15 processos administrativos em andamento, em fase de investigação. A assessoria da Secretaria afirmou que não será divulgado o número total de servidores envolvidos. Em nota, a pasta disse que as apurações “seguem rigorosamente os trâmites legais e administrativos previstos na legislação vigente” e que estão sob segredo de justiça.
Como os nomes dos envolvidos não foram divulgados pela secretaria, não foi possível localizar as suas defesas. Já a Polícia Civil disse que não há como passar informações sobre a investigação sem a identificação dos servidores.
De acordo com a Seduc, os primeiros relatos sobre os desvios aconteceram há dois anos. Os servidores ocupavam cargos de gestão e de assessoria financeira nas escolas. Entre os envolvidos há tanto servidores efetivos quanto contratados. A secretaria não divulgou o valor total desviado, mas informou que os recursos foram repostos, para não prejudicar os alunos das unidades afetadas.
Em entrevista à TV Anhanguera, a secretária estadual de Educação, Fátima Gavioli, afirmou que as apurações identificaram que os servidores desenvolveram vício nesses jogos.
Segundo Gavioli, os desvios foram identificados em várias cidades, incluindo Goiânia, Pires do Rio e Itaberaí. “Nós temos casos espalhados pelo estado”, afirmou.
Desvio de R$ 90 mil
De acordo com apuração da repórter Isabelle Saleme, da TV Anhanguera, em apenas uma das escolas, os desvios aconteceram durante três meses e chegaram a R$ 90 mil.
Uma auxiliar administrativo de uma escola em Itaberaí, que se apresentou à polícia espontaneamente, disse que era responsável pelos pedidos e pagamentos de materiais com as verbas enviadas pelo governo. No depoimento, a mulher informou que desviou o dinheiro para investir em um jogo on-line, chamado “Jogo do Tigrinho”, em que “para participar das partidas, é necessário fazer depósitos de valores em dinheiro”.
Em outro trecho, a servidora disse, ainda que “a sua intenção era investir o dinheiro no jogo e recuperar o valor para depositar novamente na conta bancária da escola”, mas que foi perdendo todo o dinheiro no decorrer do tempo.
Empresas fazem alerta
Em nota, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representam as empresas de jogos e apostas esportivas que atuam no Brasil, afirmaram que o setor que os jogos devem ser para entretenimento e que, caso jogadores percebam algum comportamento compulsivo, há mecanismos para evitar o desenvolvimento do vício.






