
Com entrada em vigor das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, economistas alertam que eventual reciprocidade pode agravar os impactos para a economia e dificultar negociações entre os dois países.
A entrada em vigor das novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros reacendeu o debate sobre a resposta do governo federal. Enquanto o Planalto estuda medidas previstas na Lei da Reciprocidade Econômica, especialistas avaliam que uma retaliação pode ampliar os prejuízos para o Brasil e reduzir as chances de uma solução negociada.
Nos últimos dias, integrantes do governo sinalizaram a possibilidade de utilizar o instrumento legal caso as sobretaxas fossem confirmadas. No entanto, o discurso passou a enfatizar uma postura mais cautelosa, priorizando o diálogo para evitar novos desdobramentos na disputa comercial.
Segundo apuração da CNN Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou estudos sobre os impactos econômicos antes de qualquer decisão e orientou a equipe econômica a evitar medidas que possam provocar aumento de preços no mercado interno ou desencadear novas sanções comerciais.
Para o economista José Niemeyer, professor do Ibmec, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos exige uma estratégia diplomática, já que o mercado americano possui peso relevante para as exportações brasileiras.
Na mesma linha, o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, avalia que uma resposta baseada apenas em retaliação dificilmente levaria Washington a rever as tarifas e poderia abrir espaço para novas medidas contra produtos brasileiros.
O setor produtivo também demonstra preocupação. Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que as novas tarifas devem atingir cerca de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras.
Entidades representativas da indústria defendem que o governo intensifique as negociações diplomáticas para preservar a competitividade das empresas nacionais e minimizar os impactos sobre empregos e investimentos.
A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), por exemplo, pediu uma atuação mais efetiva nas tratativas com os Estados Unidos, priorizando a preservação das relações comerciais.
De acordo com estimativas de analistas do mercado, a nova tarifa poderá reduzir o fluxo de comércio entre os dois países em aproximadamente US$ 1 bilhão e provocar impacto de cerca de 0,03% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Com a medida, o Brasil passa a figurar entre os países mais tarifados pelos Estados Unidos, atrás apenas da China em nível médio de sobretaxação. O cenário mantém o mercado atento às próximas decisões do governo brasileiro e ao desenrolar das negociações entre Brasília e Washington.






