DestaquesNotícias

Derrota para Lula deixa Flávio Bolsonaro sem mandato e sem foro privilegiado em 2027

Após 24 anos ocupando cargos eletivos, senador encerrará seu mandato em janeiro e ficará sem cargo público. Mudança ocorre depois de ele optar pela disputa presidencial e não concorrer à reeleição ao Senado

A derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial de 2026 terá um efeito direto na trajetória política de Flávio Bolsonaro (PL): a partir de fevereiro de 2027, ele ficará sem mandato eletivo pela primeira vez em 24 anos. O senador pelo Rio de Janeiro encerra seu período no Congresso em 31 de janeiro, sem ter disputado a renovação da cadeira no Senado.

Flávio recebeu 59,8 milhões de votos, o equivalente a 48,21% dos válidos, enquanto Lula foi reeleito com 64,2 milhões de votos e 51,79%. A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

A trajetória política de Flávio começou em 2002, quando foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro, aos 21 anos. Ele assumiu o primeiro mandato em 2003 e foi reeleito para a Assembleia Legislativa fluminense em 2006, 2010 e 2014. Em 2018, conquistou uma vaga no Senado, com mandato iniciado em fevereiro de 2019.

Ao longo desse período, Flávio permaneceu em cargos eletivos, com exceção da tentativa frustrada de chegar à Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016. Naquele ano, ele disputou a eleição municipal, mas terminou em quarto lugar e continuou como deputado estadual.

Fim do foro não significa transferência automática de investigações

Com o encerramento do mandato de senador, Flávio perderá o foro por prerrogativa de função vinculado ao cargo parlamentar. Em regra, novos processos que não se enquadrem nas hipóteses de competência dos tribunais superiores poderão tramitar na primeira instância.

A mudança, entretanto, não significa que todas as investigações em andamento serão automaticamente transferidas para a Justiça comum. Em 2025, o Supremo Tribunal Federal decidiu que casos relacionados a crimes supostamente cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções podem continuar na Corte mesmo depois que a autoridade deixa o mandato. A competência será definida conforme as circunstâncias de cada procedimento.

Flávio é citado em investigações que tramitam no STF, incluindo uma apuração sobre recursos destinados à produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades relacionadas aos casos. A saída do Senado, portanto, encerra sua atual proteção ligada ao mandato, mas não determina, por si só, o desfecho das apurações.

A derrota presidencial marca, assim, uma mudança na situação institucional de Flávio Bolsonaro: depois de mais de duas décadas no Legislativo, ele deixará o Congresso sem ter conquistado o cargo de presidente da República.

Botão Voltar ao topo
Fechar

AdBlock detectado!

Nosso site exibe alguns serviços importante para você usuário, por favor, desative o seu AdBlock para podermos continuar e oferecer um serviço de qualidade!