Alexandre GuilhermeColunaContosLendas

Conto: Liberdade

Tem lugares neste planeta que não podem ser construídos só com as paredes físicas, e é preciso ver por trás da fumaça dissolvida na vivência.
E é numa dessas histórias que conheci um casebre a longa distância da cidade central. Este casebre era considerado como algo diferente do contexto da cidade, muitos zombavam da sua decadência que as pessoas colocavam sobre ele, e todos procuravam manter distância dele.

Mas muitos ouviam o som profundo vindo deste casebre, era como se fosse um som de coração batendo bem forte nas madrugadas, mas ninguém tinha coragem de se aproximar deste casebre, até que um forasteiro, chamado de mascate, desembarca nesta cidade.

Era a primeira vez que ele colocava os pés nesta cidade para vender seus produtos e, ao se instalar numa hospedaria, começa a se familiarizar com a cidade e, de repente, numa madrugada, ele começa a ouvir um barulho muito forte como se fosse de um coração, e as pessoas comentam com ele que tudo isso vinha daquele pequeno casebre.

Ele fica encabulado com isso e, a cada madrugada que passava, ele ouvia mais forte, até que um certo dia, enquanto ele tomava uma cachaçinha, ele ouve com muita força a batida de um coração neste casebre. Então ele vira de uma vez a dose de cachaça na boca e levanta às pressas para o lado do casebre. O rapaz da venda fala para ele não ir, mas ele não lhe dá ouvidos e pega a estrada rumo ao casebre.

Cada passo que ele dava alimentava a batida no casebre. Quando ele chega na porta fechada, estava suspirando frio, mas ele mete o pé na porta que se abre, e ele vê um pequeno índio que tinha sido amarrado por um homem branco e batia os pés na parede de madeira na esperança de que uma alma boa lhe libertasse das amarras da sobrevivência.

Escrito por Alexandre Guilherme

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