Crônica: Amor de Filho

Para Vicente, meu pai
Tudo que se vai fica também. E faz uns dias que eu aprendi uma importante lição: sei que não vai ser num de repente, a despedida… mesmo sabendo que sempre será cedo demais e sempre também de repente. E isto não é um imbróglio, e sim um paradoxo existencial. Mas, na verdade, nós sabemos que não chegamos até aqui para desistir agora. E vou sim até o fim. Mesmo não tendo visto o dia seguinte. Estou mal informado como muita gente.
O fato é o ato mesmo! O gesto da procura, e a procura é o que traz a cura. E como tem lutado! Nesses 88 anos de vida. E com tantos anjos ao seu lado, sete Marias, minhas irmãs, minhas fadas madrinhas… Minha mãe, meus irmãos. A Joana e meus sobrinhos, em especial o Vinícius. Seu legado. Sua família. Sem recado direto da boca de Deus, mas um hierofante sem fantasia, e pai meu (nosso). Pai, você dá rock, você gosta do Bono Vox, você tem ousadia.
E nas entrelinhas do horizonte dessa infinita estrada da vida na Infinita Highway, eu encontrei você. E com você aprendi a sonhar… E a amar as pessoas e as palavras.
Amor de filho. Portanto, não cabe ao filho perder alteridade e deixar de se colocar no lugar do pai, são crianças como você. Um pai, a gente se desculpa sempre, a gente com coração sereno, a gente entende um pai. E mesmo o perdão sendo de Deus e para Deus, um filho deverá sim aplacar as mágoas, dar as costas ao ódio e rancor, pois de nada adianta ficar preso nessas circunstâncias.
Quando um filho vira pai… o pai vira avô. Talvez minha filha e meus sobrinhos e sobrinhas possam expressar melhor esse amor de netos e netas ao meu (nosso) pai. Quem sabe eles e elas escrevam: “Amor de neto”. Um pai não tem um filho preferido, o filho preferido é aquele que está mais doente. E eu estive assim por muito tempo, hoje não estou mais. Pai, nós te amamos mais que demais.
Leonardo Daniel
Inhumas,
12/02/2026
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