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Proteção se constrói todos os dias

Por Coronel Cláudia Silva Lira – vice-prefeita de Goiânia_

 

Setembro nos traz uma pauta muito relevante: saúde mental, prevenção ao suicídio e valorização da vida. Falar em valorização da vida também é reconhecer as diferentes formas de violência que ameaçam a dignidade e a segurança.

 

Por isso, dar voz ao Setembro Amarelo não encerra a discussão iniciada pelo Agosto Lilás. A violência contra a mulher não termina com o calendário e o compromisso de enfrentá-la precisa permanecer durante todo o ano.

 

O desafio é mudar a cultura. Não se muda um pensamento com uma ação pontual, apenas no mês de agosto. Informação, prevenção e educação são essenciais para que a sociedade deixe de ser mera espectadora diante da violência. O poder público deve estruturar políticas permanentes. À sociedade, enxergar, acolher e agir.

 

Durante o Agosto Lilás, a Prefeitura de Goiânia, por meio da Semasdh, intensificou ações de conscientização e fortalecimento da Rede de Proteção à Mulher, com caminhadas, palestras, seminários e rodas de conversa. Cerca de 2.500 mulheres foram orientadas e 282 encaminhadas para serviços especializados, como CREAS, CRAS, DEAM e Abrigo Sempre Viva.

 

Esses números mostram que conscientizar precisa caminhar junto com acolher e encaminhar. A rede tem o papel de mostrar à mulher que ela não está só, que pode buscar ajuda e romper com esse ciclo. Esse acolhimento precisa considerar cada história, com assistência social, saúde, segurança e orientação jurídica.

 

Também não podemos ignorar que, muitas vezes, a violência acontece dentro de casa, justamente onde deveria existir proteção. Quando o lar se torna cenário da violência, ela se torna ainda mais grave. Por isso, combater a violência exige mais do que repressão. Exige prevenção.

 

Por isso é tão relevante atitudes positivas e concretas. Essas ações renovam nossa esperança na mudança de cultura da sociedade, como bom exemplo: a adesão do Secovi-Goiás ao Pacto Goiano pelo Fim da Violência contra a Mulher, aproximando o setor imobiliário e condominial, que é onde a vida de grande parte da população acontece, dessa causa e unindo forças com o Estado e a rede de proteção municipal. Quando diferentes setores se unem, a rede ganha força e capilaridade no combate à violência contra a mulher.

 

E prevenção significa conversar com mulheres, mas também com homens. Precisamos falar de respeito, limites e responsabilidade. Ensinar que controle não é cuidado, ciúme não é prova de amor, humilhação não é brincadeira e violência psicológica também é violência. Também precisamos criar espaços de diálogo com homens que praticaram violência, promovendo responsabilização.

 

Nenhuma rede pública consegue estar dentro de todas as casas. A responsabilidade é coletiva. É preciso que o vizinho esteja atento, que o familiar não normalize, que o amigo não silencie e que escolas, empresas e condomínios saibam reconhecer sinais. Essa é a diferença entre campanha e cultura: campanhas servem para informar, dar visibilidade e mobilizar, mas a mudança de cultura depende do que fazemos depois; das nossas atitudes e ações enquanto cidadãos inseridos em grupos sociais.

 

Agosto nos chama a olhar para a violência contra a mulher. Setembro nos chama a olhar para a saúde mental e para a valorização da vida. Ambas nos lembram de algo essencial: ninguém deve enfrentar sozinho uma situação de sofrimento ou violência. É preciso estar preparado para escutar, acolher e agir.

 

O Agosto Lilás acaba. A nossa responsabilidade, não. Combater a violência contra a mulher é responsabilidade de todos nós.

Foto: Divulgação

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