
Especialistas apontam que a conquista do sufrágio feminino foi resultado de décadas de mobilização e alertam que discursos discriminatórios ainda desafiam a igualdade na participação política
O direito ao voto das mulheres no Brasil, conquistado há 94 anos, voltou ao centro do debate público em meio à repercussão de manifestações que questionam a participação feminina na política. Pesquisadoras ouvidas pela Agência Brasil avaliam que esse tipo de discurso resgata argumentos historicamente utilizados para limitar a presença das mulheres nos espaços de decisão.
O sufrágio feminino foi instituído em 24 de fevereiro de 1932, com a publicação do Código Eleitoral, que passou a reconhecer o direito das mulheres de votar. Dois anos depois, a Constituição de 1934 consolidou a igualdade de direitos políticos entre homens e mulheres, representando um marco na democracia brasileira.
Segundo estudiosas, essa conquista não ocorreu de forma espontânea. Ela foi resultado de décadas de mobilização de lideranças do movimento sufragista, que enfrentaram resistência política e social para garantir o reconhecimento da cidadania feminina.
Atualmente, as mulheres representam a maioria do eleitorado brasileiro. Ainda assim, especialistas observam que a participação feminina na política continua enfrentando desafios, como a sub-representação em cargos eletivos, episódios de violência política de gênero e manifestações consideradas misóginas.
Para a professora Fernanda Abreu, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), qualquer tentativa de relativizar o direito ao voto das mulheres contraria princípios constitucionais, como o sufrágio universal e a igualdade entre homens e mulheres previstos na Constituição Federal.
A pesquisadora Cibele Tenório, da Universidade de Brasília (UnB), ressalta que os ataques atuais reproduzem uma lógica histórica de resistência à participação feminina na vida pública. Segundo ela, preservar os direitos conquistados depende da manutenção das garantias democráticas e da participação ativa da sociedade.
A trajetória do voto feminino no Brasil é marcada pela atuação de pioneiras como Bertha Lutz, Leolinda Daltro e outras lideranças que organizaram movimentos em defesa da igualdade política ainda no início do século XX. O reconhecimento desse direito abriu caminho para que mulheres passassem a votar, ser votadas e ocupar espaços de representação nas diferentes esferas do poder público.






