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Queda nos preços das Commodities leva governo a considerar medidas de apoio ao setor agrícola

Ministério da Agricultura avalia estabelecer linha de crédito via BNDES para apoiar agricultores diante da baixa nos preços das commodities e cogita prazos estendidos para dívidas. Desafio é mitigar impactos financeiros na próxima safra e colheitas de 2025

A recente queda nos preços das commodities tem gerado preocupações no setor agrícola e no governo brasileiro. Diante da perspectiva de lucros mais baixos, o Ministério da Agricultura está estudando medidas para apoiar os agricultores e evitar impactos financeiros significativos nas próximas safras e colheitas de 2025. Uma das propostas em consideração, de acordo com o assessor especial Carlos Ernesto Augustin, é a criação de uma linha de crédito via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para fortalecer o capital de giro dos produtores. Além disso, está sendo cogitada a concessão de prazos estendidos para o pagamento de dívidas contraídas pelos agricultores.

As dívidas em questão, utilizadas para realizar investimentos, poderiam ter seus pagamentos postergados, com um passivo estimado em cerca de R$20 bilhões. A medida visa aliviar a pressão financeira sobre os agricultores diante da redução nos preços das matérias-primas, como resultado da queda nos preços das commodities. O Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br) mostra que os preços das commodities agrícolas, de energia e minerais atingiram o menor patamar em mais de dois anos, com uma queda especialmente pronunciada nas commodities agrícolas.

Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP indicam que, em janeiro, o preço da soja, principal produto agrícola exportado pelo Brasil, teve uma redução de 23,6% em relação ao mesmo mês de 2023. O milho registrou uma queda de 20,4%, enquanto o café teve uma redução de 13,3%. Essas variações de preço impactam negativamente os produtores, e a proposta de apoio do governo busca mitigar esses impactos.

Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), destaca que diversas cadeias produtivas, incluindo café, boi, milho, soja e algodão, enfrentaram reduções significativas nos preços em reais ao longo de 2023, chegando a cerca de 30%. Apesar do crescimento de cerca de 15% no PIB agropecuário em 2023, fatores climáticos e quebras de safra podem resultar em uma queda de 0,8% no volume de produção este ano. O agronegócio, considerando serviços e indústria relacionados, pode registrar uma queda de 2% ou ficar estagnado no melhor cenário.

A balança comercial brasileira, impulsionada pelo desempenho do agronegócio, projeta um superávit anual recorde de US$90 bilhões, representando mais de 51% das exportações totais do país. O Ministério da Agricultura busca equilibrar o suporte necessário aos agricultores diante da atual conjuntura econômica e da volatilidade nos preços das commodities. O desafio é garantir a estabilidade do setor agrícola em meio a mudanças nas condições de mercado e fatores climáticos.

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