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Número de Trabalhadores em Condições Análogas à Escravidão no Brasil Atinge Maior Patamar em 2023

O Brasil resgatou 3.151 trabalhadores em condições análogas à escravidão em 2023, o maior número desde 2009, com 582 operações de fiscalização e pagamento de R$ 12,5 milhões em verbas trabalhistas. Dados da Coordenação-Geral de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravizado e Tráfico de Pessoas revelam a preocupante situação, com destaque para atividades como o cultivo de café e plantio de cana-de-açúcar

O ano de 2023 registrou um aumento alarmante no número de trabalhadores encontrados em condições análogas à escravidão no Brasil, atingindo o maior patamar desde 2009, com 3.151 resgatados. Os dados são da Coordenação-Geral de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Análogo ao de Escravizado e Tráfico de Pessoas (CGTRAE) do Ministério do Trabalho e Emprego.

As operações de fiscalização totalizaram 582, resultando em dois recordes preocupantes: o número de resgates e o montante de R$ 12,5 milhões em verbas trabalhistas pagas nos resgates. Esses números revelam a magnitude do problema e a necessidade de ações urgentes para combater essa prática desumana.

Dentre as atividades econômicas que mais apresentaram trabalhadores resgatados, destacam-se o cultivo de café, com 300 pessoas, seguido pelo plantio de cana-de-açúcar (258), limpeza e preparação da terra (249), e o cultivo de uva (210). Considerando a quantidade de operações de resgate, a criação de bovinos de corte lidera com 62 operações, seguida por serviços domésticos (59), o cultivo de café (54) e a construção civil (34).

Os estados mais afetados foram Goiás, com o maior número de resgatados (735), seguido por Minas Gerais (643), São Paulo (387) e Rio Grande do Sul (333).

A operação que mais chamou a atenção ocorreu em Bento Gonçalves (RS), onde 207 trabalhadores foram resgatados da colheita e carga e descarga de uvas. Eles denunciaram ameaças, maus tratos e até mesmo torturas, incluindo o uso de choques elétricos e spray de pimenta.

É importante destacar que as operações são coordenadas pela Inspeção do Trabalho em parceria com diversas instituições, incluindo o Ministério Público do Trabalho, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União, visando uma abordagem integrada no combate a essa grave violação dos direitos humanos.

O Brasil, que já ultrapassou a marca de 63,4 mil trabalhadores resgatados desde 1995, enfrenta um desafio contínuo na erradicação do trabalho análogo à escravidão, exigindo ação conjunta e eficaz das autoridades e da sociedade civil. Denúncias podem ser feitas de forma sigilosa através do Sistema Ipê, lançado em 2020, e em diversos outros órgãos, incluindo o Ministério Público do Trabalho e sindicatos de trabalhadores.

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