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O cansaço da polarização e o voto que decide

A política brasileira segue fazendo barulho nos extremos, mas a eleição não será decidida por quem grita mais alto. Os dados mais recentes de pesquisas nacionais mostram algo que muitos atores políticos insistem em ignorar: a maioria do eleitorado não se reconhece na polarização entre lulismo e bolsonarismo. Esse contingente, descrito como “invisível”, forma hoje o verdadeiro centro de gravidade da disputa eleitoral e tende a definir os vencedores de 2026.

São eleitores com valores conservadores nos costumes, preocupações concretas com renda, emprego, segurança, saúde e serviços públicos, mas avessos ao radicalismo ideológico. Não militam, não se engajam em guerras digitais e, justamente por isso, acabam fora do radar do debate público. Ainda assim, representam mais da metade do eleitorado brasileiro. Ignorá-los não é apenas um erro estratégico: é uma receita quase certa para a derrota.

O cenário goiano reflete com nitidez esse movimento. Goiás tem tradição conservadora, forte presença religiosa, um eleitor pragmático e historicamente pouco tolerante a aventuras ideológicas. Aqui, o voto costuma premiar resultados, estabilidade administrativa e capacidade de entrega. A experiência recente mostra que discursos excessivamente polarizados encontram eco limitado e, muitas vezes, geram rejeição silenciosa — aquela que não aparece nos atos de rua, mas surge com força nas urnas.

O eleitor goiano médio quer saber se o governo funciona, se a segurança melhora, se a economia local cresce e se os serviços públicos chegam à ponta. Não há grande apetite para disputas simbólicas importadas do debate nacional, nem para narrativas baseadas no “nós contra eles”. A polarização pode mobilizar bolhas, mas dificilmente constrói maiorias em um estado que valoriza equilíbrio, diálogo e gestão eficiente.

Quem apostar todas as fichas no confronto ideológico, seja à direita ou à esquerda, corre sério risco de falar apenas para convertidos. O “invisível” não se sente representado por radicalismos e tende a se afastar — quando não opta pelo voto branco, nulo ou simplesmente migra para candidaturas que ofereçam previsibilidade e senso prático.

As eleições de 2026, em Goiás e no Brasil, tendem a ser menos sobre identidade política e mais sobre capacidade de síntese. Vencerá quem compreender que o eleitor cansou da polarização como método e da radicalização como projeto. O futuro não pertence aos que gritam mais alto, mas aos que conseguem escutar melhor.

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