
Exploração de minérios estratégicos em Goiás projeta a criação de mais de 12 mil empregos em duas mineradoras. Empresas de diversos ramos da tecnologia poderão chegar no Estado nos próximos anos
A exploração de terras raras em Goiás deve gerar até 12 mil empregos diretos entre cinco e dez anos, segundo estimativas da Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços do Governo de Goiás. As áreas vão desde engenheiros, operadores de máquinas e especialistas em logística. O estado se destaca devido a Minaçu, no norte de Goiás, ser é a única cidade fora da Ásia a produzir em escala comercial quatro elementos essenciais.
Em Goiás, a exploração já começou há três anos. Segundo Joel de Sant’Anna Braga Filho, secretário de Indústria, Comércio e Serviços do Governo de Goiás, atualmente duas mineradoras operam no estado e, quando estiverem em atividade total, podem gerar de 5 a 6 mil empregos diretos cada uma.
Para o secretário, o passo mais importante está ligado ao desenvolvimento da tecnologia, que pode trazer uma cadeia de investimentos e, consequentemente, novos empregos. Joel destaca que hoje uma mineradora gera mais de 2 mil empregos diretos.
“Isso aí é muito importante, porque vai fazer com que Goiás tenha geração de emprego, porque vai trazer investimento para cá em vários setores”, afirma.
Um dos pontos ligados à tecnologia é que serão buscadas empresas dos ramos de data centers, empresas fabricantes de motores e de baterias, por exemplo.
“Poderemos fazer uma troca. A gente exporta terra rara, mas a gente peça que essas empresas invistam aqui em outros setores ligados à tecnologia para fazer com que essa rota tenha um benefício para Goiás”, destaca Joel.
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A gerente de projetos estratégicos do setor produtivo da SIC, Lívia Parreira, explica que a cadeia de terras raras é multidisciplinar e envolve uma gama de profissionais atuando em uma etapa estratégica diferente. Entre eles estão:
Geólogos e Geofísicos: Descobrir, delimitar e caracterizar o depósito mineral;
Engenheiros de Minas: Planejar e executar a lavra com segurança e eficiência econômica;
Engenheiros Químicos e Metalurgistas: Transformar o minério bruto em produto comercial (concentrado de terras raras);
Engenheiros e Gestores Ambientais: Garantir conformidade legal e minimizar impactos ambientais;
Técnicos em Mineração: Executar a operação prática da lavra (apoio à perfuração, controle de qualidade do minério em campo);
Operadores de Máquinas pesadas: Executar a operação prática da lavra (operação de escavadeiras e caminhões fora de estrada e controle de carregamento);
Especialistas em Logística e Comércio Exterior: Garantir que o produto chegue ao cliente internacional com eficiência (vender e entregar com competitividade).
Geração de empregos
Seguindo as etapas citadas, Lívia destacou as áreas que devem gerar mais empregos em curto, médio e longo prazo. Segundo ela, a curto prazo é a vez da pesquisa mineral e implantação das minas. Essa será a fase com mais trabalhadores empregados, porém, de curta duração.
“Terá maior contratação de geólogos, técnicos de mineração e de sondagem, topógrafos, engenheiros de minas, engenheiros ambientais, operadores de equipamentos, mão de obra temporária e alta demanda por serviços locais”, disse Lívia.
A médio prazo será a vez do beneficiamento e da separação química, também chamada de hidrometalurgia. Lívia explica que essa fase exige uma qualificação técnica elevada, como engenheiros químicos, técnicos industriais, operadores de planta e especialistas em controle de qualidade.
Finalmente, a longo prazo, vem a industrialização de ímãs, componentes e tecnologia; é onde está o maior potencial de emprego e renda, com maior impacto econômico e social, disse a gerente de projetos.
O que é a “terra rara”
Lívia Parreira explica que o termo “terras raras” se refere a um grupo específico de 17 elementos químicos e precisa de duas características fundamentais: possuir uma concentração desses elementos e que seja economicamente viável para a extração deles.
Segundo a especialista, os elementos não são raros e chegam a ser bastante abundantes na crosta terrestre. Ela separa as duas características em dispersão e dificuldade de separação.
“Eles quase nunca se concentram em um único lugar em grandes quantidades. Estão muito espalhados e misturados de forma diluída no solo. Esses 17 elementos são quimicamente quase ‘gêmeos’. Por conta dessa semelhança extrema, o processo industrial para separar um do outro é incrivelmente complexo e caro”, explica.







