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Terras raras: Brasil dá passo inédito para produzir ímãs com minério nacional

O Brasil deu um passo inédito na disputa global por terras raras, minerais estratégicos usados na fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos. Pela primeira vez, um laboratório brasileiro começou a testar a produção de ímãs de alta potência com matéria-prima extraída no próprio país, na busca de criar uma cadeia produtiva nacional desses materiais, hoje dominada por outros países.

O lote de 20 quilos de carbonato de terras raras entregue pela mineradora Meteoric ao Centro de Inovação e Tecnologia para Ímãs de Terras Raras (CIT Senai ITR), em Lagoa Santa (MG), marca o desenvolvimento das pesquisas com material nacional.

É o primeiro lote de carbonato obtido a partir de extração em terras brasileiras que o projeto recebe. O laboratório costuma usar material importado da China.

Carbonato de terras raras é o resultado da lixiviação (processo de lavagem) da argila iônica que contém os minérios e é um composto intermediário, antes da separação dos elementos de terras raras.

Carbonato misto de terras raras — Foto: Meteoric/Divulgação

Carbonato misto de terras raras — Foto: Meteoric/Divulgação

O material destinado ao CIT Senai ITR foi retirado dos testes de processos de extração realizados na planta piloto da mineradora inaugurada em dezembro, em Poços de Caldas (MG). De acordo com a empresa, a cada 600 kg de argila são retirados 2 kg de carbonato.

O carbonato foi obtido a partir de amostras de argila iônica coletadas durante pesquisa sobre terras raras na região do Planalto Vulcânico de Poços de Caldas. A empresa está em fase de licenciamento para a construção da mina.

Desenvolvimento para o futuro

 

Laboratório de ímãs de terras raras é inaugurado pela Fiemg em Lagoa Santa, MG — Foto: Fiemg/Divulgação

Laboratório de ímãs de terras raras é inaugurado pela Fiemg em Lagoa Santa, MG — Foto: Fiemg/Divulgação

O CIT Senai ITR é a primeira fábrica de ímãs permanentes da América Latina e faz parte do projeto MagBras, uma aliança formada por empresas, startups, centros de inovação, instituições de pesquisa, universidades e fundações de apoio que tem como objetivo estabelecer uma cadeia produtiva completa e permanente de terras raras no país, da matéria-prima mineral até o ímã final, que são essenciais para a montagem de motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, smartphones, computadores, equipamentos de ressonância magnética e componentes industriais de automação

“Com essa remessa, o projeto passa a ter a oportunidade de trabalhar com matéria-prima de origem nacional nas etapas de obtenção de óxidos puros de terras raras, redução para metal, produção de liga e fabricação de ímãs de NdFeB (neodímio-ferro-boro). Isso é extremamente relevante porque permite validar, em escala piloto, a rota tecnológica utilizando terras raras brasileiras”, afirmou.

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