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Quase R$ 1 bilhão: bancada goiana se destaca na liberação de emendas federais

Execução alcança 74,2% da dotação prevista para o Estado; transferências especiais, as chamadas “emendas pix”, somam R$ 260 milhões e reforçam debate sobre velocidade e critérios de liberação dos recursos

Por trás dos números frios do Orçamento, a política se move em ritmo próprio. Em 2025, a bancada federal de Goiás conseguiu transformar articulação em resultado concreto: o governo federal pagou R$ 957 milhões em emendas indicadas por deputados federais e senadores do Estado. O montante corresponde a 74,2% da dotação inicial prevista para Goiás, fixada em R$ 1,28 bilhão, e revela não apenas capacidade de negociação em Brasília, mas também diferenças de estratégia entre parlamentares da base e da oposição.

Do total liberado, R$ 260 milhões foram executados por meio das transferências especiais — as chamadas “emendas pix” — modalidade que permite repasse direto aos entes beneficiados, com menos etapas intermediárias. As informações constam do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop), do Ministério do Planejamento e Orçamento, atualizado pela última vez em 31 de dezembro e consultado na sexta-feira (2).

Embora os pagamentos tenham ficado abaixo do total empenhado no exercício — R$ 1,22 bilhão —, a diferença de cerca de R$ 265 milhões poderá ser executada em 2026. Pela regra orçamentária, recursos empenhados e não pagos dentro do ano podem ser liquidados no exercício seguinte.

Disputa silenciosa entre deputados

Entre os deputados federais, a liderança no volume de emendas pagas ficou com Silvye Alves (UB), que teve R$ 37,1 milhões liberados. Logo atrás aparecem Célio Silveira (MDB), com R$ 36,9 milhões; Magda Mofatto (PRD), com R$ 36,7 milhões; e Professor Alcides (PL), com R$ 36,4 milhões.

Silvye afirmou que não tinha conhecimento prévio de sua posição no ranking e destacou que os recursos foram aplicados em áreas como saúde, atendimento a pessoas com autismo, defesa da mulher e proteção animal. A deputada citou ainda a inauguração, prevista para março, de uma unidade da Casa Coração em Anápolis, voltada ao acolhimento de mulheres vítimas de violência — modelo que já funciona em Trindade.

Na outra ponta, Adriana Accorsi (PT) registrou o menor volume de emendas pagas entre os deputados: R$ 20,3 milhões. Apesar disso, o valor empenhado por ela chega a R$ 35,7 milhões, patamar semelhante ao de outros parlamentares. Deputada da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Adriana disse encarar os números com tranquilidade e atribuiu a execução mais lenta ao perfil das áreas contempladas, como segurança pública, cultura e educação, que exigem prazos maiores que setores como saúde.

Senado: diálogo, oposição e ritmo das obras

No Senado, o maior volume de emendas pagas foi do senador Jorge Kajuru (PSB), com R$ 68,5 milhões — exatamente o mesmo valor empenhado. Vice-líder do governo, Kajuru atribuiu o desempenho ao diálogo constante com os ministérios responsáveis pela liberação dos recursos.

O senador Wilder Morais (PL) teve R$ 64,5 milhões pagos, enquanto o total empenhado alcançou R$ 68,5 milhões. Em nota, sua assessoria ressaltou que parlamentares da oposição precisam de acompanhamento técnico ainda mais rigoroso junto aos municípios e entidades beneficiadas, sob risco de atrasos por inconsistências documentais. Segundo o texto, o resultado demonstra “eficiência na destinação das emendas e compromisso com resultados concretos para a população goiana”.

Vanderlan Cardoso (PSD) registrou o menor volume pago entre os senadores, R$ 45 milhões, embora o valor empenhado seja semelhante ao dos colegas, R$ 68,4 milhões. Vanderlan afirmou que o perfil municipalista de sua atuação priorizou obras e equipamentos estruturantes, que dependem de projetos e licitações antes do pagamento. Como exemplo, citou a emenda de R$ 8,5 milhões destinada à nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Campinas, em Goiânia, empenhada em dezembro e ainda em fase licitatória.

Execução orçamentária e política

No vocabulário técnico das contas públicas, empenhar é reservar o recurso; pagar é, de fato, liberar o dinheiro. Na prática política, porém, a diferença entre uma fase e outra pode significar capital eleitoral, visibilidade e influência junto às bases.

Os dados do Siop não registram emendas de 2025 do deputado Gustavo Gayer (PL). Houve tentativa de contato, sem retorno.

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