
Executiva estadual analisa nesta semana a situação do prefeito de Anápolis, que declarou apoio ao governador e abriu uma crise interna no partido.
O PL de Goiás se prepara para tomar uma decisão sobre o futuro do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, depois de o prefeito declarar apoio à candidatura de Daniel Vilela ao governo estadual. A manifestação contrariou a orientação da legenda, que tem Wilder Morais como candidato ao Palácio das Esmeraldas.
A Executiva Estadual do partido deve reunir 10 integrantes para analisar o caso e discutir quais medidas poderão ser adotadas contra o prefeito. O encontro coloca frente a frente uma questão que ultrapassa a relação entre dois políticos: está em jogo a capacidade do PL de manter unidade em torno de sua candidatura ao governo.
Márcio Corrêa foi eleito prefeito de Anápolis pelo PL e mantém mandato pela legenda. Ao decidir apoiar Daniel Vilela, entretanto, passou a ocupar uma posição política diferente daquela defendida oficialmente pelo partido.
A situação provocou forte reação dentro do PL. A direção estadual avalia que o apoio público a um adversário de Wilder Morais pode caracterizar infidelidade partidária, abrindo espaço para medidas disciplinares previstas no estatuto da legenda.
O episódio ganhou ainda mais repercussão depois que Márcio decidiu responder publicamente às críticas. O prefeito questionou a postura da direção partidária e afirmou que, se o critério for fidelidade, ele deveria ser aplicado de maneira uniforme entre os integrantes do partido.
O confronto coloca Wilder Morais em uma situação politicamente delicada. Como presidente estadual do PL e candidato ao governo, ele precisa demonstrar comando sobre a legenda, mas qualquer punição a Márcio pode aprofundar a divisão interna.
Do outro lado, Márcio Corrêa parece disposto a sustentar sua posição. O prefeito de Anápolis tem um peso político considerável por comandar uma das principais cidades de Goiás e por ter sido eleito justamente com o apoio da estrutura do PL.
A decisão da Executiva poderá variar desde uma tentativa de composição até a abertura de um processo disciplinar mais duro. Uma eventual expulsão, porém, teria consequências políticas que vão além da relação partidária.
Márcio continuaria prefeito de Anápolis mesmo que deixasse o PL, e poderia seguir apoiando Daniel Vilela. Nesse cenário, o partido perderia formalmente um de seus principais prefeitos em Goiás e ainda teria de administrar os efeitos políticos da ruptura.
Para Daniel Vilela, a crise representa um movimento favorável. O apoio de Márcio reforça a capacidade do governador de construir alianças para além de seu próprio partido e de atrair lideranças que hoje estão formalmente vinculadas à oposição.
O episódio também mostra como a eleição de 2026 começa a reorganizar as forças políticas em Goiás. Partidos que antes pareciam ter seus grupos claramente definidos começam a enfrentar movimentos internos provocados pela disputa majoritária.
No caso do PL, a reunião da Executiva será um teste de autoridade para Wilder Morais. Para Márcio Corrêa, será o momento de saber se o partido pretende puni-lo pela escolha política ou buscar uma solução que preserve algum nível de convivência.
Uma coisa já está evidente: o apoio de Márcio a Daniel deixou de ser apenas uma decisão eleitoral e se transformou em uma das principais crises internas do PL em Goiás nesta pré-campanha.







