Morrinhos e a dança das cadeiras: muitos nomes, uma só vaga e vaidade de sobra
À medida que as eleições de 2026 se aproximam, Morrinhos se vê novamente diante de um velho dilema: a cidade que sonha em ter um deputado estadual pra chamar de seu corre o risco de mais uma vez ficar sem representação — por causa da pulverização de candidaturas.

Desta vez, o cenário ganha novos contornos: três nomes da própria base governista se colocam como pré-candidatos e aguardam a definição do prefeito Mayclyn Carreiro sobre quem terá seu apoio. Todos com trajetória política recente e de forte presença local, mas também todos mirando a mesma vaga. A equação é simples: ou há união, ou há dispersão.
De um lado está Thiago Mendonça, atual vice-prefeito. Jovem, articulado e bem relacionado nos bastidores do governo estadual, aposta na construção silenciosa e gradual do seu nome. Ao seu favor, o vínculo direto com a gestão e a imagem de continuidade.
No outro ponto da disputa aparece Leandro Ventura, primo do prefeito e presidente da Câmara Municipal, que em sua última eleição obteve pouco menos de 2 mil votos. Com forte atuação no Legislativo local e diálogo aberto com as bases, tenta viabilizar seu projeto como alternativa mais popular e de presença constante nos bairros. Lembrando: o irmão de Ventura é secretário de Turismo e Eventos do Município.
Já Mário Júnior, secretário de Habitação, construiu seu nome na execução de projetos sociais, especialmente no setor habitacional. Tem a favor o discurso da entrega — e aposta na emoção ao propor o ousado plano de entregar uma casa por mês às famílias de baixa renda. Foi Mário Júnior que ajudou a levar a campanha do prefeito nas costas.
Três nomes da mesma base. Três perfis distintos. E um só apoio do prefeito.
Enquanto isso, os veteranos também se movimentam. Francisco Oliveira, por exemplo, aparece como o nome com mais experiência e capilaridade política. Já testado nas urnas, com base sólida e articulação estadual, pode se beneficiar caso os três nomes da base oficial não cheguem a um consenso. Wesley Santos e Joaquim Guilherme também não estão fora do tabuleiro, embora busquem reorganizar suas forças após derrotas ou afastamentos recentes.
O ponto de alerta está dado: se cada grupo insistir em lançar candidatura própria, Morrinhos corre novamente o risco de ficar sem deputado estadual, enquanto cidades vizinhas, menores e mais coesas, seguem elegendo seus representantes com folga.
A decisão que se impõe é clara: ou se constrói um nome único de consenso, com apoio amplo e unificado, ou o município, mais uma vez, verá os votos se dispersarem como areia entre os dedos — e a tão sonhada representatividade no Legislativo continuar sendo adiada.







