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Marconi anuncia vice no secretariado e promete governo sem loteamento político

Candidato tucano afirma que Jacqueline Zaiden ocupará uma secretaria caso a chapa seja eleita e diz que pretende priorizar nomes técnicos e novos quadros na administração estadual.

O candidato ao governo de Goiás Marconi Perillo (PSDB) anunciou que sua vice, Jacqueline Zaiden, deverá ocupar uma secretaria de Estado caso a chapa seja eleita em outubro. A definição antecipa uma das primeiras escolhas de um eventual governo tucano, embora Marconi ainda não tenha informado qual pasta seria destinada à empresária e produtora rural.

O anúncio vem acompanhado de uma promessa de renovação da estrutura administrativa. Marconi afirma que pretende montar um secretariado com nomes novos, perfil técnico e qualificação profissional, reduzindo a influência de indicações partidárias na composição do primeiro escalão.

Segundo o candidato, a ausência de uma ampla coligação lhe daria maior liberdade para escolher os auxiliares. A proposta apresentada é de um governo que não seja “loteado” entre partidos e que busque profissionais na iniciativa privada, nas universidades e no serviço público.

A estratégia tem um componente eleitoral evidente. Marconi tenta apresentar sua eventual quinta passagem pelo Palácio das Esmeraldas como uma nova fase política, apesar de carregar uma trajetória de quatro mandatos como governador. A promessa de “caras novas” procura justamente criar uma separação entre a imagem do ex-governador e a equipe que seria responsável por uma nova administração.

A escolha de Jacqueline Zaiden também tem significado político. Empresária e produtora rural, ela possui trajetória ligada ao setor produtivo e já presidiu entidades representativas em Rio Verde. Sua presença na chapa levou para a disputa uma liderança com trânsito especialmente entre produtores rurais e segmentos empresariais.

Ao anunciar antecipadamente que a vice será secretária, Marconi também reforça a ideia de uma gestão em que o segundo nome da chapa terá participação efetiva no governo. A definição pode funcionar como uma tentativa de evitar que a vice seja vista apenas como uma figura protocolar.

Há, entretanto, uma contradição que o candidato terá de administrar durante a campanha. Ao mesmo tempo em que promete renovação e independência, Marconi é um político com uma longa trajetória no Executivo estadual. Governou Goiás por quatro mandatos e deixou o cargo pela última vez em 2018.

A promessa de renovação, portanto, precisará ser acompanhada de uma explicação sobre o que exatamente mudaria em relação às administrações anteriores. Não basta trocar os nomes do secretariado; será necessário apresentar quais seriam as novas prioridades, métodos de gestão e políticas públicas.

O discurso de um governo técnico também deverá enfrentar uma realidade política inevitável: governar exige maioria na Assembleia Legislativa, diálogo com prefeitos e articulação com diferentes forças políticas. A independência em relação aos partidos pode ser um ativo eleitoral, mas também pode se transformar em dificuldade administrativa caso não exista uma base política consistente.

Por enquanto, Marconi tenta transformar essa ausência de compromissos partidários em vantagem. A mensagem é de liberdade para escolher, e não de isolamento político.

A antecipação de Jacqueline Zaiden no secretariado cumpre ainda uma função simbólica: mostra que a campanha começa a discutir não apenas a candidatura, mas como seria o governo depois das urnas.

O desafio do tucano será convencer o eleitor de que a experiência acumulada ao longo de quatro mandatos pode ser combinada com renovação. Marconi quer voltar ao Palácio das Esmeraldas apresentando-se como um político experiente, mas com uma equipe nova e um modelo de governo diferente.

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