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Lula recua de indicação de Olavo Noleto e procura nome mais experiente para articulação política

Pressão de líderes do Congresso leva presidente a rever escolha para o Ministério das Relações Institucionais; governo avalia alternativas com maior trânsito entre deputados e senadores.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu recuar da indicação do secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, Olavo Noleto, para o comando do Ministério das Relações Institucionais. A mudança de rumo ocorreu após lideranças do Congresso Nacional manifestarem reservas quanto ao perfil político do auxiliar.

Nos bastidores, parlamentares defenderam a escolha de um articulador com maior experiência no diálogo entre Executivo e Legislativo, sobretudo diante de uma agenda considerada sensível para o governo federal. A atual ministra da pasta, Gleisi Hoffmann, deve deixar o cargo nos próximos dias para disputar uma vaga no Senado.

Entre os nomes que passaram a ser cogitados estão o senador Otto Alencar (PSD-BA) e o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias. Ambos, no entanto, enfrentam obstáculos. Alencar preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado — uma das mais influentes do Congresso — e precisaria abrir mão do posto. Além disso, interlocutores avaliam que seu trânsito político é maior entre senadores do que entre deputados, justamente onde o governo enfrenta maiores dificuldades de articulação.

Procurado, o parlamentar negou qualquer negociação para assumir o ministério e afirmou estar focado na recuperação após uma cirurgia cardíaca recente.

Já Wellington Dias comanda uma das áreas estratégicas do governo, responsável pela execução dos principais programas sociais federais. Embora tenha perfil conciliador, aliados do Planalto ponderam que o cargo de articulador político exige, em determinados momentos, capacidade de impor disciplina à base governista no Congresso.

Outro ponto de preocupação entre parlamentares diz respeito à liberação de emendas orçamentárias. Há um acordo entre Executivo e Legislativo para acelerar o pagamento desses recursos até junho, período que antecede o calendário eleitoral. Como a coordenação desse processo passa pelo Ministério das Relações Institucionais, congressistas defendem a nomeação de alguém com força política suficiente para garantir o cumprimento dos compromissos assumidos pelo governo.

Também pesa na avaliação de lideranças a proximidade de Noleto com o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que enfrentou resistências do chamado centrão quando esteve à frente da articulação política. Há receio de que o desgaste seja reeditado em um momento em que o governo precisa construir maioria para projetos relevantes em tramitação, como a proposta de emenda à Constituição que trata de mudanças no sistema de segurança pública e a análise de vetos relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023.

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