LDO vira novo foco de tensão na Câmara e pode atrasar recesso em ano eleitoral

Cronograma apertado para análise da Lei de Diretrizes Orçamentárias preocupa vereadores que disputarão as eleições de 2026 e abre queda de braço entre base governista e Comissão Mista
A tramitação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027 se transformou em um novo ponto de tensão nos bastidores da Câmara de Goiânia. O cronograma definido para a análise da matéria pode empurrar a votação final para os últimos dias antes do recesso parlamentar, gerando preocupação entre vereadores que pretendem intensificar suas agendas eleitorais nas próximas semanas.
Pelo calendário estabelecido na Comissão Mista, a proposta passará por audiências públicas, receberá emendas parlamentares e ainda precisará cumprir etapas regimentais antes de chegar ao plenário. A previsão oficial é concluir a tramitação até 15 de julho, mas parlamentares admitem reservadamente que qualquer atraso pode comprometer o encerramento dos trabalhos legislativos dentro do prazo previsto.
A situação incomoda principalmente integrantes da base do prefeito Sandro Mabel (União Brasil), que defendem maior celeridade na apreciação do projeto. Como a legislação impede o início do recesso sem a aprovação da LDO, governistas avaliam que a demora pode prejudicar tanto a agenda administrativa do Paço quanto os planos eleitorais de parte dos vereadores.
O relator da matéria, vereador Léo José (Solidariedade), tem adotado discurso de cautela e sinalizado que a análise será conduzida com atenção aos detalhes técnicos da proposta. A postura, entretanto, gerou desconforto entre aliados do governo municipal, que trabalham para garantir a votação ainda na primeira quinzena de julho.
O presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania), afirmou que respeitará a autonomia das comissões e descartou qualquer interferência direta na condução dos trabalhos. Ainda assim, demonstrou confiança de que a votação será concluída dentro do prazo legal, evitando impactos sobre o calendário legislativo.
Outro foco de resistência está na presidência da Comissão Mista. O vereador Cabo Senna (Mobiliza) já indicou que não pretende acelerar a tramitação apenas para atender ao cronograma político da Casa. Segundo ele, a prioridade será assegurar uma análise aprofundada da proposta orçamentária, mesmo que isso exija reuniões extraordinárias ou prolongue os debates.
Enquanto isso, vereadores da base articulam conversas para tentar construir um entendimento que permita a aprovação da matéria sem comprometer a qualidade da discussão. A avaliação é que a LDO, por definir as diretrizes para a elaboração do orçamento municipal do próximo ano, exige atenção técnica, mas também não pode se transformar em um obstáculo ao funcionamento da Câmara.
Nos bastidores, o episódio expõe um dilema típico de anos eleitorais: conciliar a responsabilidade legislativa com o calendário político. Com mais da metade dos vereadores cotados para disputar cargos em 2026, o avanço da LDO passou a ter reflexos que vão muito além das questões orçamentárias, influenciando diretamente a estratégia dos parlamentares para a próxima campanha.






