
A tentativa de transformar um episódio grave em espetáculo político escancara mais sobre seus protagonistas do que sobre o fato em si. A entrada sem autorização do vereador Igor Franco (MDB) e do deputado estadual Clécio Alves (PSDB) em uma área embargada da Comurg, na GO-020, não pode ser relativizada como mero “exercício de fiscalização”. Trata-se, na prática, de uma ação temerária, que desrespeita regras básicas de segurança e institucionalidade.
Segundo registros oficiais da Secretaria de Segurança Pública, houve sim violação de acesso: o grupo teria sido orientado a aguardar autorização, mas optou por ignorar o procedimento e entrar mesmo assim. A própria Comurg classificou o episódio como invasão — e não sem razão. O local está interditado por órgãos ambientais desde 2024, o que, por si só, exige ainda mais cautela e responsabilidade no acesso.
A narrativa construída posteriormente por Igor e Clécio soa conveniente. Ao alegarem “prerrogativa parlamentar”, tentam dar verniz legal a uma conduta que, na essência, afronta normas que eles próprios deveriam respeitar. Fiscalizar não é sinônimo de invadir. O mandato não é salvo-conduto para agir à margem de protocolos, muito menos para produzir conteúdo de redes sociais à custa de risco e desinformação.
Aliás, chama atenção o roteiro: a presença de um influenciador digital, a gravação de vídeos e a promessa de divulgação nas redes indicam que a prioridade não era exatamente a apuração técnica ou responsável, mas sim a repercussão. Em tempos de política performática, o episódio parece mais um capítulo da busca por engajamento do que por soluções reais.
Outro ponto que fragiliza o discurso dos parlamentares é a superficialidade das acusações. A alegação de “veículos parados e se deteriorando” pode até levantar questionamentos legítimos — mas exige contexto, laudos técnicos e explicações formais. Sem isso, transforma-se apenas em narrativa solta, usada para atacar a gestão municipal sem o devido embasamento.
Nesse cenário, a postura do prefeito Sandro Mabel se destaca por contraste. Enquanto adversários apostam em ações midiáticas e atalho institucional, a gestão municipal tem buscado reorganizar estruturas, enfrentar passivos históricos e dar respostas concretas à população. É um trabalho menos barulhento, porém mais consistente — e, sobretudo, dentro da legalidade.
A crítica política é legítima e necessária. Mas ela perde força quando vem acompanhada de atitudes que beiram a irresponsabilidade. Ao optar por invadir em vez de solicitar acesso formal, Clécio e Igor não apenas fragilizam sua própria credibilidade, como também prestam um desserviço ao debate público.







