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Evangélicos rejeitam uso eleitoral de igrejas, aponta pesquisa

Levantamento mostra que maioria dos fiéis é contra indicação de voto por líderes religiosos e campanhas dentro dos templos

Os evangélicos estão no centro da disputa política das eleições de 2026, mas a maioria dos fiéis rejeita o uso direto das igrejas como espaço de campanha eleitoral. É o que aponta uma pesquisa nacional sobre religião e vida pública no Brasil.

Segundo o levantamento, 83% dos entrevistados são contrários à indicação de candidatos por pastores e padres. Outros 82% rejeitam discussões políticas durante cultos e missas, enquanto 90% são contra campanhas eleitorais dentro dos espaços religiosos.

Os números indicam que a influência da religião sobre o voto não necessariamente ocorre por meio de uma transferência direta de votos determinada por lideranças.

Para pesquisadores responsáveis pelo estudo, a religião exerce influência principalmente na formação de valores, identidades e relações de confiança. Essa influência também migrou para o ambiente digital.

O WhatsApp aparece como um dos principais espaços de articulação das comunidades religiosas. Entre os entrevistados, 66% afirmaram utilizar a plataforma em grupos ligados à fé.

A pesquisa também identificou diferenças na forma como evangélicos e católicos se informam sobre política. Entre evangélicos, o WhatsApp ocupa posição de destaque, enquanto a televisão tem maior peso entre católicos.

Os dados também mostram que a identidade religiosa não produz necessariamente posições uniformes sobre políticas públicas. Entre evangélicos, por exemplo, há níveis elevados de apoio a temas como educação sexual nas escolas, uso de métodos contraceptivos e rejeição ao homeschooling.

Para os pesquisadores, o cenário revela um eleitorado religioso mais diverso do que a associação automática entre fé evangélica e determinadas posições políticas pode indicar.

A pesquisa mostra, portanto, que igrejas e lideranças religiosas continuam relevantes no debate público, mas a maioria dos fiéis diferencia a participação cidadã da utilização dos templos como instrumentos de campanha eleitoral.

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