Concurso da Câmara vira bomba-relógio política para Romário Policarpo

MP vê indícios graves, número de investigados sobe para 15 e pressão recai sobre comando da Câmara de Goiânia
O concurso público da Câmara de Goiânia deixou de ser apenas uma suspeita administrativa para se transformar em uma crise política de grandes proporções no colo do presidente da Casa, Romário Policarpo. O aumento para 15 do número de investigados por possíveis vínculos com entidades ligadas ao Instituto Verbena expôs ainda mais o desgaste da gestão do vereador diante de um caso que já ameaça a credibilidade do Legislativo municipal.
O cenário ficou ainda mais delicado após o Ministério Público de Goiás recomendar a suspensão imediata do certame por 90 dias, apontando uma sequência de falhas consideradas graves. Entre elas, ausência de biometria, falta de detectores de metal, deficiência no controle de candidatos durante a aplicação das provas e suspeitas de favorecimento envolvendo aprovados com ligações diretas à banca organizadora.
O episódio mais explosivo envolve um candidato aprovado em primeiro lugar que, segundo o MP, teria atuado na elaboração de questões e mantido vínculos diretos com a estrutura responsável pelo concurso. A suspeita elevou a temperatura política e colocou a gestão de Policarpo sob questionamento público.
Nos bastidores da política goianiense, a avaliação é de que o presidente da Câmara demorou para reagir diante dos alertas. Mesmo após sucessivos questionamentos sobre a lisura do certame, a direção da Casa manteve postura considerada passiva por vereadores e integrantes de órgãos de controle. O discurso de “acompanhar o caso” passou a ser visto como insuficiente diante da gravidade das denúncias.
A crise também acende um sinal vermelho sobre a condução administrativa da Câmara. O concurso era tratado por Policarpo como uma vitrine de modernização institucional, mas agora corre o risco de virar símbolo de fragilidade no controle interno e de falha política na fiscalização do processo.







