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Caiado acusa Lula de oportunismo ao zerar “taxa das blusinhas” em ano eleitoral

Presidenciável critica decisão do governo federal e diz que medidas econômicas devem ser tomadas com planejamento, e não de olho no calendário eleitoral.

O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou a decisão do governo do presidente Lula (PT) de zerar o Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50. Para o goiano, a mudança, adotada em ano eleitoral, revela uma estratégia de conveniência política e não uma política econômica estruturada.

Caiado afirmou que o governo age de “má-fé” ao tomar a decisão neste momento e questionou o caráter eleitoral da medida. Segundo ele, decisões que afetam a economia precisam ser tomadas com planejamento e equilíbrio, e não como uma espécie de aceno ao eleitorado às vésperas das urnas.

O presidenciável evitou, entretanto, dizer se manteria a alíquota zero caso chegasse ao Palácio do Planalto. Caiado afirmou que pretende ouvir os diferentes setores da sociedade antes de decidir sobre a manutenção ou eventual retomada da cobrança.

“As decisões serão tomadas com muito equilíbrio”, afirmou Caiado, acrescentando que não pretende adotar medidas movidas pelo que classificou como “oportunismo da prévia de uma campanha eleitoral”. A declaração reforça a tentativa do candidato de associar sua imagem à responsabilidade na condução das contas e das políticas econômicas.

A crítica também coloca Caiado em uma posição estratégica na disputa presidencial. O candidato procura se apresentar como uma alternativa tanto ao governo Lula quanto à polarização que envolve o campo bolsonarista, defendendo uma agenda própria baseada em gestão, segurança, responsabilidade fiscal e atração de investimentos.

Ao mesmo tempo, a chamada “taxa das blusinhas” tem forte impacto político porque atinge diretamente consumidores que compram produtos de plataformas internacionais. A decisão de reduzir a tributação pode representar um alívio para o consumidor, mas também alimenta o debate sobre a concorrência com o comércio nacional e sobre o impacto da medida na arrecadação.

Caiado tenta deslocar justamente esse debate: mais do que discutir se a taxa é popular ou impopular, questiona o momento em que a decisão foi tomada. Na visão apresentada pelo candidato, política econômica não deveria funcionar ao sabor das necessidades eleitorais.

A ofensiva faz parte de uma estratégia de campanha que busca explorar a imagem de Caiado como gestor experiente e crítico do governo petista. Ao atacar uma medida popular sem necessariamente defender a retomada imediata da cobrança, ele procura sustentar um discurso de equilíbrio: não se trata de ser contra o benefício ao consumidor, mas contra decisões econômicas tomadas com finalidade eleitoral.

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