Alexandre GuilhermeColunaLendas

São Pedro

O dia 29 de junho se aproxima, trazendo consigo a força das tradições, das culturas populares e das esperanças cultivadas ao longo dos tempos. Nesta data, a doutrina católica celebra São Pedro, um dos mais importantes santos da Igreja. Em diversos povos ao redor do mundo, este dia também é marcado pelas festas da colheita, pelas danças da fartura e pela lembrança da grande pesca realizada por Pedro.

Quero contar este conto sobre o dia 29 de junho e sobre a origem de uma antiga lenda dedicada a São Pedro.

Nos primórdios dos tempos, existia um pequeno vilarejo muito religioso, onde seus moradores veneravam com devoção a imagem de São Pedro. Este grande santo é sempre representado carregando algumas chaves. Dizem que cada uma delas abre uma porta diferente: uma para a chuva, outra para o sol e até mesmo uma para as bênçãos espirituais.

Todos os anos, no dia 29 de junho, o vilarejo celebrava a festa de São Pedro com muito louvor, danças típicas e agradecimentos pela boa colheita de grãos, hortaliças e frutas, além da fartura na pesca.

Em um lugar afastado do vilarejo morava um senhor muito rude, conhecido por sua ignorância e inveja. Para ele, apenas suas próprias coisas tinham valor, e vivia criticando os moradores da comunidade. Possuía um grande milharal, do qual tinha enorme orgulho.

Certo dia, justamente em 29 de junho, ele foi ao vilarejo comprar alguns grãos para plantar em sua terra. Ao encontrar todos comemorando a festa de São Pedro, zombou da religiosidade do povo e, em voz alta, declarou:

— Se São Pedro tirar as pragas do meu milharal, que está infestado, eu passarei trinta dias trancado em casa, vivendo apenas de pão e água, sem incomodar ninguém.

Depois disso, voltou para sua propriedade.

Na manhã seguinte, caiu uma grande chuva sobre sua terra, levando embora todas as pragas que destruíam o milharal. Choveu durante três dias. Quando o sol finalmente voltou a brilhar, o homem resolveu ir novamente ao vilarejo para fazer algumas compras.

Abriu a porta de casa e, no instante em que saiu, a chuva começou outra vez. Voltou para dentro, e imediatamente o sol reapareceu. Tentou sair novamente, mas a chuva retornava. Entrava, e o sol voltava. Isso aconteceu inúmeras vezes.

Tomado pela raiva, pegou sua espingarda, foi até a porta e disparou para o céu, gritando:

— Aqui está a minha resposta, São Pedro!

Naquele instante, as nuvens desapareceram de sua propriedade. Um sol escaldante tomou conta da terra e parecia não querer ir embora. O calor aumentava cada vez mais, até que, de repente, um incêndio começou a consumir todo o seu milharal.

Os moradores do vilarejo correram para ajudá-lo, mas já era tarde. Tentaram retirá-lo do local, porém ele era tão obstinado por suas terras que entrou em meio às chamas para salvar a plantação. Acabou morrendo no incêndio.

Conta a lenda que, desde então, todo dia 29 de junho é possível ver o velho agricultor conversando com São Pedro, implorando por uma de suas chaves para abrir novamente a porta da chuva e aliviar o fogo que ainda consome sua terra.

Este é o conto que lhes entrego, encerrando esta trilogia dedicada aos três santos mais conhecidos do mês de junho: Santo Antônio, São João e São Pedro.

 

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