Policarpo joga para qual time?

Na política, existe quem assuma um lado. E existe quem tente agradar todos os lados ao mesmo tempo. Romário Policarpo parece ter escolhido o segundo caminho.
A impressão que fica é a de quem acende uma vela para Deus e outra para o diabo. Em um momento, demonstra alinhamento com o prefeito. No outro, faz movimentos que enfraquecem o próprio governo. É um jogo permanente de conveniências, em que o compromisso maior parece ser com a própria sobrevivência política.
Como presidente da Câmara, concentra holofotes e protagonismo de forma desproporcional. Quem acompanha a política de Goiânia percebe que quase tudo gira em torno da figura do presidente, enquanto o trabalho dos demais vereadores acaba ficando em segundo plano. A presidência da Casa não deveria servir como palco para promoção pessoal, mas como instrumento para fortalecer institucionalmente todo o Legislativo.
O problema é que essa forma de fazer política alimenta um modelo em que o poder deixa de ser compartilhado para se transformar em projeto individual. A Câmara não pertence ao presidente. Pertence aos 37 vereadores e, principalmente, à população de Goiânia.
Infelizmente, esse cenário também expõe uma velha realidade da política brasileira: muitas vezes o eleitor escolhe seu vereador sem acompanhar o desempenho de quem elegeu. Se houvesse um acompanhamento mais atento do papel de cada parlamentar, talvez o funcionamento da Câmara fosse mais equilibrado e menos concentrado nas mãos de uma única liderança.
Na política, quem tenta agradar todo mundo acaba deixando uma dúvida inevitável: afinal, governa para a cidade ou apenas para o próximo projeto eleitoral?



