Obrigado, pela liberdade

Havia escrito com letras garrafais e na cor vermelha no pronto-socorro psiquiátrico de Goiânia, o PROFESSOR WASSILY CHUC, – quando ele era ao lado do CRER – (O Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação), a seguinte frase: OBRIGADO PELA LIBERDADE. Esta frase, que pude vê-la com meus próprios olhos, quando por desiderações cósmicas estive ali, sempre me chamou a atenção, pois ela na verdade diz, não um agradecimento por estar livre, e sim, um grito de um ato político de que fez tudo que fez, enlouqueceu como enlouqueceu, porque ele, o louco, foi livre, e é livre para viver a loucura. É claro que não indicamos isso para ninguém. Mas, o fato é que ele, o louco, teve liberdade plena para viver sua loucura. E com isso, ele diz: Fui obrigado a fazer o que eu fiz por ser livre.
E assim, vem outra consequência: você é livre para fazer o que quiser da sua vida. Tanto para o bem quanto para o mal… E por mais que esqueçamos da colheita, sempre deve-se pagar pelo mal que se fez, agora ou em outro carnaval, com outras fantasias.
Ser livre é algo muito sério, não dá para fingir que é livre. Mesmo que você esteja desperto no mal e para o mal, como é o caso dos vampiros da TV, sua pose é uma pose. É pura pose, e ser quase livre é mesmo pior do que a prisão.
Quando dizemos ‘fui obrigado pela liberdade’, não cria um álibi para o elo de ligação, não é um palimpsesto, e nem uma estapafúrdia do destino. É apenas uma decisão entre as deprimentes formas de escolha. Não há escolha, e sim um descair da decisão.
E, por fim, um pormenor: vamos caetanear, de perto nós todos não somos normais. E é o verdadeiro louco que se acha, quem acha que é normal, nesse mundo frenético e acelerado em que vivemos, e dessa forma, quem é maluco beleza vigora. Pense nisso, na próxima vez que for condenar um louco à eterna prisão do preconceito.
Leonardo Daniel
Crônica revisada por Maria Celeste Consolin Dezotti
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