O Meticuloso e o Precavido

O meticuloso não é precavido. Ser meticuloso é uma forma sofisticada de ser avarento. O meticuloso conta cada detalhe do seu dinheiro e dos seus bens, ele só pensa em formar patrimônio, morre de medo do amanhã, mas continua sem cuidar da sua saúde. Já o precavido não, ele tem um hobby, ele tem uma poupança, mas não é escravo do ontem. O meticuloso morre de medo do futuro, e por isso mesmo faz planos e mais planos, e tenta assegurá-los sendo workaholic.
A medida usada pelo meticuloso não segue o fiel da balança, pois ele vive no fundo de tramoias. É egoísta, não circula suas riquezas, apodera e acumula, sem saber que “quem tem mais do que precisa ter, quase sempre se convence de que não tem o bastante, fala demais, por não ter nada a dizer” (Renato Russo).
Ter precaução é saber fazer reflexão, é pensar e repensar, só que sem ganância e sem medo. A precaução é necessária. Pois, não podemos gastar mais do que aquilo que se ganha. Mas não é deixar sob qualquer disfarce de não comer uma pizza no fim de semana. De ir ao cinema. Ou fazer um passeio num parque. É dar pipoca aos macacos do zoológico. Coisas simples do dia a dia. Coisas comezinhas, mas muito importantes para a felicidade nascer em nossos corações.
Não tem como ser precavido sendo meticuloso, o inverso também é verdadeiro. Todos os meticulosos do mundo somados são especuladores da economia mundial. Eles acarretam o mal. Pois, nas suas avarezas, não dão créditos e nem permitem que as outras coisas na economia possam acontecer, travando e dificultando o empreendedorismo na sociedade. Um meticuloso pode ser muito rico. Mas o dinheiro é a única coisa que ele tem. A meticulosidade é uma forma disfarçada e justificada de egoísmo e inveja. E ele não suspeita que é assim. Isto piora ainda mais a situação que não é circunstancial.
O precavido aprendeu a olhar para o futuro com entusiasmo, alegria e esperança. E faz suas apostas, mas o desafio é contra ele mesmo. Desafios internos. Uma luta contra o ego. E assim ele chega às estrelas sem tirar os dois pés do chão. Peguemos seu exemplo.
Leonardo Daniel
10/05/2026
Crônica revisada por Maria Celeste Consolin Dezotti
@poetaleodaniel
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