O Fatídico

O fatídico é o fato que com o tempo se revela: ridículo. O fatídico é quando se faz das tripas coração. É quando um sucedâneo de fatos vai ocorrendo de forma sinistra, concatenados de forma vil e violenta. E quando há a presença dos duplos, o desfecho é muito trágico. O fatídico é trágico.
Quando as confluências do tempo demoram em sua ampulheta de dor a curar o coração, parece que ninguém no mundo é capaz de nos estender a mão. O sofrimento se torna desumano. E a vida parece passar ao largo, longe de qualquer ‘lógica’ que possa nos movimentar e viver. O fatídico nos exige sobressaltos e superesforços. O perdão, se ainda necessário, vem como intuição e um bom tempo depois.
O fatídico geralmente não tem como evitar-se. Podemos dar o melhor de nós mesmos. E procurar dar outros significados a ele. O aprendizado que vem dele pode ser enorme e radical. Se você for o protagonista, o protagonista da sua própria dor, aquele que não vence o adversário e sim, vence a culpa por vencer a si mesmo.
Peça a Deus e aos Anjos para não ter que passar um dia fatídico. Sim, geralmente o que é fatídico desemboca em um dia apenas. Nós não conseguiríamos viver uma semana fatídica, seria um peso de realidade duro demais. A maior parte do tempo se resume em um único dia, a gota d’água. O leite derramado. E, apesar de ele ser de forma culminante trágico, ele não é uma tragédia em si, já que a tragédia é um blecaute completo da razão. E num evento fático há ainda lucidez.
O tempo vai mostrar que onde era o mal passou a ser o bem. E que a luminosidade do bem escondeu longe as sombras que, pelo contraste, nos ensinou o que de esotérico levamos para o subconsciente.
Não pense que sua vida inteira será assim, das tripas coração. Não. A maior parte dela terá a leveza do seu espírito. E acredite, o espírito é leve.
Devemos depois rir do que é ridículo, e não chorar do que é patético. Essa é uma lição difícil que se dá na vida. Poucos são capazes de rir sem se tornar mentecaptos. Fracassos da sua própria injustiça. Levante a cabeça para o alto e veja que seu erro foi o maior acerto possível.
Leonardo Daniel
09/06/2026
Crônica revisada por Maria Celeste Consolin Dezotti
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