Viagens internacionais dos governantes e suas comitivas: qual o retorno concreto para a gestão?
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, realizou pelo menos cinco viagens internacionais desde o início de sua gestão. As agendas focaram na atração de investimentos, na apresentação de inovações em mobilidade urbana e na articulação de novas rotas aéreas, como a tentativa de viabilizar um voo direto entre Goiânia e Portugal.
As críticas ao excesso de viagens internacionais de governantes — sejam eles federais, estaduais ou municipais — concentram-se no alto custo aos cofres públicos, no desgaste da imagem por aparente distanciamento dos problemas internos e na suspeita de baixa efetividade dos acordos assinados. O debate contrapõe a diplomacia institucional à necessidade de gestão local e à entrega de resultados concretos para a população.
1. Custos elevados e transparência
Gastos vultosos: As despesas com comitivas, hospedagens de alto padrão, voos e segurança costumam gerar forte oposição, especialmente em momentos de crise econômica.
Transparência e sigilo: Há críticas constantes sobre a falta de detalhamento dos custos e das agendas dos servidores acompanhantes, além de históricos de informações mantidas sob sigilo em diferentes gestões.
2. Foco e prioridade da gestão
“Ausência” do país: Críticos argumentam que chefes do Poder Executivo deveriam dedicar mais tempo às pautas urgentes do mercado interno, à articulação com o Legislativo e à gestão de crises locais.
Fuga de debates: Em alguns casos, a imprensa e analistas sugerem que o excesso de agendas no exterior funciona como uma estratégia para evitar desgastes políticos internos e reduzir a exposição às pressões da opinião pública.
3. Baixo retorno efetivo
Agenda secundária: Setores políticos e econômicos apontam, por vezes, que a participação em determinados eventos globais ou fóruns possui caráter secundário ou meramente protocolar, trazendo pouco retorno prático em termos de investimentos, geração de empregos ou benefícios diretos para a população.
4. Oposição e uso político
O número expressivo de dias fora do país é frequentemente utilizado por parlamentares de oposição como argumento para rotular governos como esbanjadores ou desconectados da realidade do município, do estado ou do país.
O principal desafio é levar ao conhecimento público a aplicabilidade das ações resultantes dessas viagens, especialmente no que se refere aos assessores que participam dessas onerosas comitivas. A sociedade tem o direito de conhecer os resultados concretos, os investimentos captados, as parcerias firmadas e os benefícios efetivamente gerados para a população.

Arquiteto Garibaldi Rizzo


