Preservação das Áreas Verdes x Crescimento Imobiliário: o desafio da metrópole goiana

Preservação das Áreas Verdes x Crescimento Imobiliário: o desafio da metrópole goiana
Como equilibrar o desenvolvimento da construção civil com a manutenção do título de **”capital mais arborizada do Brasil”**?
Como discutir a verticalização acelerada e seus impactos sobre o microclima da cidade?
Como garantir o direito à moradia, promover a regularização fundiária, enfrentar o déficit habitacional e lidar com os desafios das ocupações urbanas, especialmente em áreas periféricas e de preservação ambiental?
Esse é um dos principais desafios enfrentados pela gestão municipal: conciliar a preservação das áreas verdes com o aquecido mercado imobiliário. Embora Goiânia seja a capital brasileira com o maior índice de área verde por habitante — cerca de **94 m² por pessoa** —, a forte expansão urbana e a crescente valorização das áreas próximas às zonas de preservação exigem planejamento estratégico rigoroso.
### O cenário atual
**Crescimento e meio ambiente como vocações da capital**
Goiânia destaca-se internacionalmente, figurando entre as cidades com maior proporção de áreas verdes do mundo, ficando atrás apenas de Edmonton, no Canadá. O verde deixou de ser apenas um elemento paisagístico e tornou-se um importante vetor de valorização imobiliária em bairros como Setor Marista, Bueno, Setor Oeste e Jardim Goiás.
**Impacto do Plano Diretor**
Aprovado em 2022 e ainda alvo de constantes debates, o Plano Diretor de Goiânia tem estimulado a verticalização nos eixos de transporte e reconfigurado o modelo de expansão urbana, reduzindo o crescimento horizontal em determinadas regiões.
**Atritos com o mercado**
Especialistas apontam que a especulação imobiliária exerce pressão sobre áreas de preservação permanente (APPs) e mananciais. A expansão urbana desordenada tem provocado desmatamento, impermeabilização do solo e impactos na gestão dos resíduos da construção civil.
### Iniciativas de mitigação
Para enfrentar esses desafios, projetos públicos e privados buscam alinhar o crescimento da cidade aos princípios da sustentabilidade.
**1. Agenda Goiânia Mais Verde**
Lançada recentemente pela Prefeitura, a iniciativa prevê a implantação de jardins de chuva, corredores verdes interligando parques tradicionais, como o Bosque dos Buritis e o Lago das Rosas, além da criação de novas trilhas ecológicas.
**2. Paisagismo integrado aos empreendimentos**
Grandes incorporadoras têm investido em projetos que valorizam a biodiversidade do Cerrado, especialmente nos arredores do Parque Areião e no masterplan da região do Flamboyant.
**3. Parques lineares**
Projetos como o Parque Macambira-Anicuns e o Parque Metropolitano do Rio Meia Ponte buscam ampliar as áreas de preservação ao longo dos cursos d’água, contribuindo para a drenagem urbana e a recuperação ambiental.
### Desafios pendentes e desigualdade socioambiental
Apesar da ampla cobertura vegetal, a distribuição das áreas verdes em Goiânia é desigual. Regiões periféricas e bairros mais antigos, como o Centro e Campinas, apresentam baixa arborização e sofrem com a formação de ilhas de calor.
A proteção dos mananciais também continua sendo um desafio. Erosões, assoreamento e o descarte irregular de esgoto e entulho ainda comprometem córregos e rios que atravessam a cidade.
A questão ambiental em Goiânia tem solução, mas depende da integração entre poder público, universidades, iniciativa privada e participação da sociedade. Embora a capital seja reconhecida nacionalmente pelo elevado índice de áreas verdes, problemas históricos, como a degradação dos mananciais, os processos erosivos e a gestão de resíduos, exigem planejamento permanente, fiscalização eficiente e políticas públicas de longo prazo.

**Arquiteto Garibaldi Rizzo**





