Arquitetura e UrbanismoColunaGaribaldi Rizzo

A importância histórica e econômica do espaço da Feira Hippie

A Praça do Trabalhador e a antiga Estação Ferroviária formam um dos conjuntos históricos mais importantes de Goiânia. Marcando o término da Avenida Goiás, a estação foi inaugurada em 1950 e, ao lado do icônico relógio de flores e do antigo Monumento ao Trabalhador, transformou a região em um polo de desenvolvimento urbano e intensa efervescência social.

A Estação Ferroviária simbolizou o progresso e a chegada da Estrada de Ferro Goyaz à capital. O edifício permanece como uma das construções mais emblemáticas do conjunto Art Déco goianiense. Com o declínio do transporte ferroviário, a estação deixou de receber trens de carga e passageiros na década de 1980. Desde então, passou por restaurações, abrigou órgãos de atendimento público — como o Atende Fácil — e segue preservada como parte fundamental da memória da cidade.

Originalmente denominada Praça Doutor Americano do Brasil, a atual Praça do Trabalhador recebeu, em 1959, o Monumento ao Trabalhador, fruto da reivindicação de sindicatos que buscavam homenagear os operários responsáveis pela construção de Goiânia. A obra tornou-se um marco para a época, mas acabou destruída durante reformas realizadas na década de 1980.

A forte presença de trabalhadores, manifestações sindicais e comemorações do Dia do Trabalho consolidou a identidade popular do local, motivando a mudança definitiva do nome para Praça do Trabalhador.

O surgimento da Feira Hippie

Nas últimas décadas, a praça tornou-se nacionalmente conhecida por abrigar a Feira Hippie, um dos maiores eventos de moda, artesanato e comércio popular a céu aberto do Brasil, ocupando tradicionalmente o espaço nos finais de semana.

A Feira Hippie de Goiânia surgiu no final da década de 1960 como um movimento cultural e artístico. Inicialmente instalada no Parque Mutirama, reunia artesãos e artistas ligados ao movimento hippie, que expunham suas criações de maneira alternativa e independente.

Com o crescimento do público e do comércio, a feira passou por diversos locais da cidade, incluindo a Praça Universitária, a Praça Cívica e a Avenida Goiás. Em 1995, foi transferida definitivamente para a Praça do Trabalhador, no Setor Norte Ferroviário, ao lado da antiga Estação Ferroviária e da Rodoviária.

Hoje, é considerada a maior feira ao ar livre da América Latina, reunindo cerca de sete mil bancas e consolidando-se como um dos maiores polos de comércio popular do país. O espaço tornou-se referência nacional na venda de vestuário, artesanato, calçados e artigos de decoração, atraindo compradores de diversos estados brasileiros, tanto no atacado quanto no varejo.

O sucesso da feira impulsionou diretamente o desenvolvimento econômico de toda a região, incluindo o fortalecimento do tradicional polo confeccionista da Rua 44.

A importância econômica e social

A Feira Hippie é vital para a economia de Goiânia. Além de movimentar o turismo de compras, gera milhares de empregos diretos e indiretos no setor de confecções, transporte, hotelaria e alimentação.

O espaço funciona como uma grande incubadora de microempreendedores, oferecendo oportunidade de geração de renda para milhares de famílias goianienses. Sacoleiros, lojistas e turistas de todo o país movimentam a economia local semanalmente, fortalecendo toda a cadeia produtiva do comércio popular.

Com origens que remontam ao final dos anos 1960, a feira tornou-se um verdadeiro patrimônio imaterial goiano e um dos principais símbolos da identidade comercial e cultural da capital.

Atualmente, a feira funciona às sextas-feiras e sábados, das 18h às 22h, e aos domingos, das 7h às 14h, podendo haver alterações conforme a organização dos feirantes.

Revitalização e melhorias urbanas

A revitalização mais recente da Praça do Trabalhador foi realizada pela Prefeitura de Goiânia. O projeto teve início em 2019 e foi concluído no final de 2023. Após o rompimento do contrato com a empresa originalmente licitada, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) assumiu a conclusão das obras.

A requalificação modernizou o piso com bloquetes drenantes do tipo paver, construiu banheiros públicos, prédio administrativo e espaço multifuncional, trazendo melhorias importantes para feirantes e visitantes.

No entanto, o espaço ainda exige equilíbrio entre sua vocação comercial e o bem-estar urbano de frequentadores e trabalhadores.

Entre as propostas consideradas fundamentais para o aprimoramento da feira estão:

  1. Conforto térmico e sombreamento: instalação de coberturas padronizadas mais eficientes e ampliação da arborização com árvores de grande porte para amenizar o calor extremo.
  2. Espaços de convivência: criação de áreas com bancos, bebedouros e paisagismo nos corredores e no entorno da antiga Estação Ferroviária.
  3. Praça de alimentação acolhedora: organização de uma área gastronômica estruturada, com mesas, cadeiras e cobertura adequada, separada dos setores de vestuário e artesanato.
  4. Zonas de descanso: implantação de espaços sombreados ao longo do boulevard de pedestres para maior conforto dos visitantes durante as compras.

O projeto de cobertura da Feira Hippie

Em discussões recentes na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), a arquiteta Carina Tomazetti apresentou estudos técnicos com propostas de cobertura para o espaço da feira. O projeto avança com apoio do deputado estadual Mauro Rubem e busca atender uma antiga reivindicação dos feirantes.

Entre as principais frentes da proposta está a implantação de uma cobertura fixa na Praça do Trabalhador, oferecendo proteção contra o calor intenso e as chuvas, além de proporcionar maior conforto térmico ao público.

Segundo a arquiteta Carina Tomazetti, a cobertura superior não substituirá as tradicionais bancas utilizadas pelos feirantes, preservando também os empregos dos montadores responsáveis pelas estruturas temporárias.

Além disso, o espaço poderá ser utilizado para eventos culturais e comunitários nos dias em que a feira não estiver em funcionamento.

Permanece, contudo, a preocupação com questões fundamentais como arborização adequada, permeabilidade do solo e instalação de equipamentos sanitários de qualidade.

Que o poder público continue tratando com a devida atenção um espaço tão importante para a história, a economia e a identidade cultural de Goiânia.

Arquiteto Garibaldi Rizzo

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