O palanque de Iris

Por anos, Iris Rezende foi mais que um político em Goiás. Foi uma referência. Um estilo. Passados alguns anos de sua despedida definitiva da vida pública, o que se vê agora é um fenômeno curioso, e, em certa medida, constrangedor. Políticos sem rumo, sem discurso e sem apelo popular resolveram transformar Iris Rezende em palanque. Não para honrá-lo, mas para se escorar nele. O legado virou muleta.
O ex-governador Marconi Perillo, adversário histórico, agora tenta puxar para si um pedaço desse patrimônio político. É como se a memória coletiva fosse elástica. Não é.

Ao lado disso, surgem os falastrões de sempre. Gente que nunca construiu nada parecido com o que Iris representou, mas que adora se apresentar como “saudosista da velha política”.
A grande pergunta que precisa ser feita é simples: o nome Iris Rezende ainda transfere voto? A história recente mostra que não é tão automático assim. Quando Iris, enquanto prefeito da capital, apoiou a candidatura de Dona Íris, sua esposa, para deputada federal, perdeu.
Esse dado é fundamental para o debate atual. Ana Paula Rezende, filha de Iris e herdeira natural de seu legado político, decidiu não disputar a Prefeitura de Goiânia em 2022. Agora, ela se coloca como pré-candidata ao Senado. É legítimo. É democrático. Mas é inevitável a pergunta: o eleitor votará em Ana Paula por quem ela é ou pelo que o pai representou?




