Cassação por compra de votos e condenação por cheques devolvidos: o passado de José Nelto antes de falar em governar Goiás

Em publicação da Folha Z, José Nelto se apresenta como preparado para governar Goiás em 2030. Entretanto, o histórico do parlamentar inclui cassação de mandato por compra de votos, condenação judicial por cheques devolvidos e episódios de confrontos públicos que também chegaram à Justiça.
A declaração do deputado federal José Nelto de que estaria preparado para disputar o Governo de Goiás em 2030 coloca novamente sua trajetória política sob os holofotes. Com décadas de vida pública, o parlamentar acumula episódios judiciais e controvérsias que contrastam com o discurso de preparo para assumir o comando do Estado.
A experiência política, por si só, não representa necessariamente credencial suficiente para governar. No caso de José Nelto, há registros que merecem ser lembrados antes que seu nome seja apresentado como uma alternativa para administrar Goiás.
Um dos episódios mais graves ocorreu em 2010, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a cassação de seu mandato de deputado estadual por captação ilícita de sufrágio, prática conhecida como compra de votos. A decisão apontou que uma caminhonete era utilizada para realizar mudanças de eleitores na periferia de Goiânia em troca de apoio nas urnas.

O julgamento foi desfavorável ao parlamentar, que também enfrentou dificuldades para registrar sua candidatura a deputado federal naquele ano. O episódio marcou sua trajetória e permanece como um dos principais registros de seu histórico eleitoral.
Mais de uma década depois, outro caso envolvendo a Justiça voltou a colocar o nome do deputado em evidência. Em janeiro de 2022, o Tribunal de Justiça de Goiás manteve uma decisão que o condenou ao pagamento de R$ 33.863,51 a um posto de combustíveis, em razão de três cheques devolvidos, emitidos em 2018.
Na ocasião, José Nelto alegou que o talão havia sido roubado e que as assinaturas não eram suas. O parlamentar afirmou que recorreria da decisão. Trata-se de uma condenação na esfera cível, e não de uma condenação criminal.
O comportamento público do deputado também já foi alvo de questionamentos. Em 2023, durante participação no podcast Papo de Garagem, Nelto protagonizou um confronto com o deputado Gustavo Gayer, utilizando expressões ofensivas contra o colega e fazendo acusações sobre uma suposta agressão a uma enfermeira.
O episódio chegou ao Supremo Tribunal Federal por meio de uma queixa-crime apresentada por Gayer. Em abril de 2026, a Primeira Turma rejeitou a queixa após empate na votação, considerando o contexto de ofensas recíprocas. Portanto, não houve condenação de Nelto nesse processo.
Agora, ao afirmar que está preparado para disputar o Palácio das Esmeraldas em 2030, José Nelto coloca sua própria trajetória no centro do debate político goiano.
A pergunta que fica não é apenas quantos anos de mandato um político acumula, mas quais credenciais apresenta, quais resultados entregou e como seu histórico se sustenta diante das responsabilidades de administrar um Estado.
Governar Goiás exige mais do que disposição para disputar uma eleição. Exige responsabilidade pública, capacidade administrativa, equilíbrio institucional e, sobretudo, uma trajetória que possa ser apresentada à população sem deixar de lado os episódios que marcaram a vida pública de quem pretende comandar o Estado.







