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Telesserviços impulsionam presença de negros em cargos de liderança no Brasilz

Com mais da metade dos profissionais negros, segundo a ABT, segmento é motor de ascensão e transformação social No Mês da Consciência Negra, líderes da atividade compartilham suas histórias de sucesso

Diana Moura

Telesserviços impulsionam presença de negros em cargos de liderança no Brasil

 

Com mais da metade dos profissionais negros, segundo a ABT, segmento é motor de ascensão e transformação social

 

No Mês da Consciência Negra, líderes da atividade compartilham suas histórias de sucesso

São Paulo, novembro de 2025. Em um cenário em que pessoas negras representam 56% da população brasileira, mas ainda ocupam menos de 30% dos cargos de liderança (IBGE), o setor de telesserviços tem se destacado como um dos grandes vetores de mobilidade social no país. Segundo a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), mais da metade dos 1,4 milhão de trabalhadores do setor são negros — e cada vez mais ocupam posições estratégicas nas empresas.

 

“Os Telesserviços são um dos grandes motores de inclusão no país. Eles oferecem oportunidades para quem está começando e abrem caminhos para o desenvolvimento de carreiras sólidas. Hoje, vemos cada vez mais profissionais negros alcançando posições estratégicas e inspirando novas gerações”, afirma Gustavo Faria, diretor-executivo da ABT.

 

Aos 19 anos, Diana Moura começou a trabalhar na Atento movida por um objetivo simples: “Queria comprar um tênis e precisava trabalhar”. Curiosa, proativa e determinada, iniciou como atendente, passou pela área de treinamento de vendas, atuou como analista de RH, analista sênior, consultora e gerente, até assumir, há quatro anos, o cargo de superintendente de inteligência de mercado.

 

Natural do Capão Redondo, periferia de São Paulo, Diana viu no telesserviço a chance de mudar sua história. Começou como atendente, passou pelas áreas de treinamento, RH e vendas, até assumir posições de liderança. “Eu entrei recém-saída do ensino médio, sem saber o que viria pela frente. Hoje sou uma mulher de 43 anos, casada, na minha segunda pós-graduação e com um patrimônio construído pelo meu trabalho”, conta.

 

Antes de entrar na Atento, chegou a trabalhar como empregada doméstica para custear o transporte e o pré-vestibular. “O setor de telesserviços foi uma escola. Ele abraça quem quer crescer, mas é preciso se posicionar e ter voz. Meu maior orgulho é ser uma mulher negra, periférica, com voz e credibilidade. As pessoas me ouvem porque sabem que falo com base em 23 anos de conhecimento e luta.”

 

Hoje, Diana participa do programa Negros Líderes, voltado ao desenvolvimento de talentos negros. “Resiliência e uma boa rede de apoio são essenciais. Mais do que isso, precisamos garantir que jovens negros da periferia tenham a chance de viver o que vivi”, afirma.

 

De operadora a superintendente

 

História parecida é a de Werismar Lopes, 37 anos, superintendente de operações da AeC, que lidera mais de 3.500 colaboradores em João Pessoa e Mossoró.

Com 19 anos de empresa, Werismar começou aos 18 como operadora de atendimento. “Foi o meu primeiro emprego de carteira assinada. Aqui foi onde me formei profissionalmente e como pessoa”, lembra.

 

Logo se destacou e virou monitora de qualidade, supervisora e coordenadora de operações em Juazeiro do Norte (CE), cidade onde ajudou a implantar uma nova base da empresa. “Cheguei quando tudo estava no começo. Implantamos o site e ensinamos o ofício do telemarketing na cidade. Foi um período intenso de aprendizado e independência, inclusive pessoal.”

 

Com o tempo, veio a gerência e, por mérito e dedicação, a superintendência. “Nosso trabalho é cuidar de vidas. Por trás de cada colaborador há uma família. Cada conquista minha reflete na vida deles, assim como mudou a da minha família. Hoje, minha mãe não trabalha mais e consegui construir a casa dos meus pais.”

 

Formada em engenharia de produção e gestão financeira, Werismar acredita no poder da representatividade: “Ser negra é celebrar nossa história e abrir portas para outras mulheres.”

 

Para a ABT, a presença crescente de profissionais negros em cargos de liderança reforça o papel do setor como agente de transformação social. “Cada trajetória mostra que o talento floresce quando há oportunidade. O telesserviço é, há anos, um espaço de diversidade real, que continua abrindo caminhos para um país mais justo”, conclui Gustavo Faria.

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