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[Opinião] Sobre a “cultura do estupro” e a decadência enquanto cultura

No último dia 25, chegou-me a notícia de uma menina de apenas 16 anos, já mãe de um bebê de 3 anos, que foi estuprada por 33 animais. Todos eles, a menina e os bandidos, moradores de alguma favela carioca. Não contentes com a estupidez desse ato, resolveram postar um vídeo no Twitter – e o fato de acharem normal levar isso a público torna a coisa toda ainda mais doentia. A partir disso, muitos, eu diria que os mesmos de sempre, aproveitaram para capitalizar o assunto do dia e bradar contra a “cultura do estupro”. Mas de fato existe uma cultura do estupro?

Primeiramente, é bom lembrar que existem várias definições de cultura, uma boa parte delas bem equivocadas, mas todas entendem que cultura tem a ver com os costumes desenvolvidos e seguidos por um grupo de pessoas (povo, nação, comunidade), sempre em contrariedade àquilo que faz parte da natureza (natureza humana ou especificamente do homem ou da mulher).

Já que estamos falando do caso ocorrido no Rio de Janeiro, peguemos esse exemplo. Os criminosos que postaram o vídeo no Twitter certamente não o fizeram imaginando que seriam punidos; para eles, esse tipo de prática deve ser corriqueira. Em uma favela, sim, encontramos um ambiente mais propenso à sexualização precoce, e essa situação só se agravou com a influência cultural do PT e de toda a esquerda que depende do “lumpen proletariado” – isto é, dos estratos sociais degradados – e da decadência impulsionada por ele para existir. Essa esquerda aplaude esse tipo de cultura e quer infiltrá-la no restante da sociedade, e é a partir disso que vemos patricinhas trocando seu baile de debutante por uma festa ao som de funk e mulheres de vinte e pouquinhos fazendo aulas de pole dancing. Ou seja: um vício privado, algo que deveria se restringir a quatro paredes, por ser motivo de vergonha, tornar-se público através de uma cultura (degradada, mas cultura). A mesma esquerda inimiga da cultura de estupro também foi e é entusiasta dessa cultura da devassidão generalizada, semelhante àqueles que fizeram a revolução sexual de 68 e não tardaram a desenvolver um puritanismo seletivo para combater a “sociedade patriarcal” e culpá-la pelas consequências nefastas dessa revolução.

Ter impulsos sexuais é da natureza. A violência também. Controlar ou canalizar todos esses impulsos faz parte da cultura, bem como se chocar com um nível de violência como o desse exemplo. Admirar a barbárie de uma certa distância, participar de “festa na laje” e ouvir funk entre pessoas de um mesmo estrato social (alto), com muita cerveja belga de 25 reais, fazer uma apropriação irônica da degradação que existe cotidianamente na favela (pino de pó barato, mulheres com 10 filhos de 3 pais diferentes, 2 deles mortos pelo tráfico, etc.), isso também faz parte de uma cultura, e é o mais próximo que nossa cultura chega de promover a barbárie – muito mais do que as peças de teatro do Zé Celso ou dos “macaquinhos”. 

Existe, portanto, uma cultura de violência generalizada, porém incorporada ao cotidiano. Existe uma cultura que estetiza essa violência, que se deleita com ela, mas sempre a uma distância segura, para permitir uma boa sociabilização entre aqueles que são iguais e pensam de maneira igual. Mas nada disso tem a ver com o que chamam de “cultura de estupro” – que não existe enquanto prática generalizada, não no hemisfério ocidental. A barbárie ocorrida com essa menina de 16 anos é justamente falta daquilo que esses arautos da virtude, entusiasta da favelização chique, pretendem eliminar. 

 

Cyd Losekann é gaúcho, residente no Rio. Historiador graduado e pós graduado, mas não-praticante. Atualmente trabalhando como traduto

 

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