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Faculdade de Direito da UFG premia os melhores curtas-metragens sobre o combate à violência contra a mulher

O evento “Entre Leis e Silêncios”, promovido pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG), reuniu uma série de curtas-metragens sobre o tema o combate à violência de gênero e premiou as melhores obras nessa quinta-feira (18/06) em cerimônia na instituição.

 

O professor João da Cruz, coordenador do evento e do Núcleo de Direitos Humanos da faculdade, reforçou o caráter pedagógico do projeto, visando, também, uma abordagem do tema em uma perspectiva democrática: “ incentivamos o audiovisual para jovens da própria universidade e de fora dela sobre um tema que cabe muito desenvolvimento, muita reflexão teórica”.

 

A obra eleita, por um juri composto apenas por mulheres, como melhor da noite foi “Vai para o Inferno”, um curta-metragem em stop-motion que abordou o tema do festival mostrando como uma mãe decide ir embora de sua casa com seu filho de colo para fugir das constantes agressões que sofria em seu lar. Decidindo sobre o que escrever em uma carta de despedida, a mulher cogita escrever pedindo perdão e aceitando a culpa pela violência. No fim, a mulher decide escrever “Vai para o inferno”, demonstrando que o culpado pela violência de gênero é o agressor, e não a vítima.

 

“ Eu quis representar como a violência faz com que a mulher procure maneiras de sempre estar inocentando o agressor e de assumir e tomar a responsabilidade, a culpa, dessas agressões que ela sofre diariamente para ela. E o recado é a quebra desse ciclo de violência”, reforçou Mikaela Schmidt, autora da obra vencedora do festival.

 

A professora de direito Fernanda Justo, uma das juradas no concurso, reforçou que a lei brasileira é inovadora e está em constante inovação sobre a proteção à mulher. Ela entende que o problema está em, sobretudo, no desconhecimento dos direitos, da não busca ajuda por parte da vítima e da cultura de preconceito contra a mulher. “ Existem mulheres que conhecem o direito, conhecem as medidas protetivas, e muitas vezes não buscam pela própria cultura que a gente tem,a estigmatização da mulher que busca essa proteção e a exposição que muitas vezes isso tem.

 

Já a cineasta Marina Lopes, também jurada, ressaltou a importância do cinema e da arte para a conscientização da sociedade sobre a violência contra a mulher, por meio da capacidade da arte de transpor os indivíduos à realidade da obra de forma profunda. “ aquele filme que você viu foi um tijolinho a mais na sua compreensão de mundo, e desses tijolinhos, que a gente usa e que a gente constrói com a cultura, nós conseguimos vencer várias e várias barreiras. Então, nós precisamos muito normalizar falar de temas difíceis na cultura”.

 

Completando o pódio, a obra “ Arquivado” refletiu sobre como muitos processos de denúncia são arquivados em delegacias, de modo que a vítima tenha sua voz silenciada e a obra “Lar” que denunciou como a violência doméstica atinge de forma indireta as crianças em suas próprias famílias.

 

A estudante de direito Isabela Godoy, da turma organizadora do festival, refletiu sobre a relevância do evento e do estudo da temática de respeito à mulher para a proteção dos direitos de todos os indivíduos “ A importância do projeto é trazer luz a um tema muito relevante para a área do direito. A violência de gênero reflete um ódio estrutural que afeta todas as relações que a gente tem na sociedade.”

 

A organização do projeto planeja disponibilizar os curtas-metragens no YouTube para que toda a população tenha acesso e visa a realização de uma segunda edição em 2027.

Foto: Divulgação

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