Um antigo tacho de cobre pode guardar muito mais do que seu peso em metal. Memórias, afetos, silêncios, segredos e histórias atravessadas por diferentes gerações estão no centro de “Cobre do meu pai”, monólogo de Hélio Fróes que chega a Senador Canedo nesta sexta-feira (21) e sábado (22), às 19h30, na Feira Criativa Morada do Morro. As apresentações têm entrada gratuita e não é necessária a retirada de ingressos.
Com direção de Fernanda Pimenta, o espetáculo integra um projeto de circulação por dez municípios goianos, apostando na descentralização da programação cultural e na aproximação do teatro com públicos de diferentes regiões do estado. Ao sair dos circuitos mais consolidados e alcançar outras cidades, a iniciativa contribui para ampliar o acesso às artes cênicas e fortalecer a presença da produção teatral goiana fora dos espaços onde tradicionalmente se concentra a oferta cultural.
Estreado em 2024, “Cobre do meu pai” parte das memórias de Hélio Fróes sobre o pai para construir uma narrativa situada entre realidade, ficção e fabulação. Questões relacionadas à identidade, às masculinidades, ao patriarcado e às heranças familiares atravessam a dramaturgia. No centro da história está justamente um tacho de cobre de cem litros herdado pelo protagonista, cuja decisão de vendê-lo desencadeia um confronto com lembranças e segredos do passado.
A montagem aposta no minimalismo. Em cena, além do ator, estão apenas um grande tacho de cobre e um tapete circular de couro. Sem trilha sonora, o espetáculo concentra sua força na palavra e na fisicalidade do intérprete. A direção utiliza princípios do método Viewpoints, explorando relações entre corpo, movimento, tempo e espaço para transformar as memórias que originaram a obra em material cênico.
O trabalho também marca o retorno de Hélio Fróes aos palcos como ator depois de mais de uma década. Diretor, dramaturgo, roteirista, professor e um dos fundadores da Cia. de Teatro Nu Escuro, criada em 1996, Fróes construiu uma trajetória importante nas artes cênicas goianas. Na companhia, assinou direção e dramaturgia de trabalhos como O Cabra que Matou as Cabras, Gato Negro e Pitoresca, além de desenvolver trabalhos no audiovisual e na formação de artistas.
A circulação de “Cobre do meu pai” conta com apoio da Lei Goyazes e prevê 20 apresentações em dez municípios de Goiás. Em Senador Canedo, o público poderá conferir gratuitamente duas sessões do espetáculo, reforçando a proposta do projeto de fazer com que produções teatrais goianas circulem por diferentes territórios e encontrem novas plateias.







