Evento gratuito “Vozes que Rompem Silêncios” reúne curta-metragem, apresentação literária e roda de conversa nesta segunda-feira (31), no Cinemais Bougainville, para marcar os 20 anos da Lei Maria da Penha e o encerramento do Agosto Lilás. Atriz Rosi Nobre interpreta Elisa, na exibição.
O último dia de agosto será ocupado, em Goiânia, por vozes que não aceitam mais o silêncio como destino. O evento “Vozes que Rompem Silêncios” será realizado nesta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, a partir das 19h, no Cinemais do Bougainville Shopping.
Com entrada gratuita, a programação integra cinema, literatura e debate público sobre o enfrentamento à violência contra a mulher. Promovido pelo Núcleo Goiânia do Grupo Mulheres do Brasil, o encontro também marca os 20 anos da Lei Maria da Penha. A participação depende de inscrição prévia pela plataforma Sympla, e as vagas são limitadas.
Cinema goiano abre a programação
O credenciamento dos participantes começa às 19h. Às 19h30, será exibido o curta-metragem O Preço de uma Filha, dirigido e roteirizado por Isabela Eva, que estará presente na sessão. Filmada integralmente em Goiânia, a produção aborda a violência doméstica, o machismo e o tráfico de mulheres.
A história acompanha um homem que transforma afeto em domínio e a própria casa em território de opressão. A violência chega ao extremo quando ele vende a filha ao tráfico. A narrativa, porém, também procura discutir as possibilidades de ruptura diante de relações sustentadas pelo medo e pelo silêncio.
O elenco é formado por artistas goianos e inclui a atriz Rosi Nobre, que interpreta Elisa, mãe da jovem colocada no centro da trama. A produção utiliza uma história ficcional para tornar visíveis formas de violência que, muitas vezes, permanecem escondidas dentro das relações familiares.
Literatura contra relações abusivas
Depois da exibição, a escritora Telma Romão Maia apresentará o livro Amores Imperfeitos e Cafés Amargos. Por meio de contos e personagens femininas, a obra trata de relações abusivas e de violências física, psicológica, moral e emocional, além dos caminhos possíveis para a libertação.
A literatura de Telma procura denunciar sem abandonar o acolhimento. As histórias mostram mulheres atravessadas por relações de controle, medo e desvalorização, mas também capazes de reconhecer a violência, reconstruir a própria identidade e buscar novas formas de vida.
A programação será concluída com uma roda de conversa sobre as duas obras, a violência contra a mulher e as duas décadas da Lei Maria da Penha. A mediação será feita pela socióloga Dilze Percílio, líder do Núcleo Goiânia do Grupo Mulheres do Brasil.
“A arte nos ajuda a acessar sentimentos, provocar reflexões e abrir conversas que muitas vezes são difíceis de começar”, afirma Dilze. Para ela, o encontro pretende oferecer um ambiente acolhedor para que mulheres compartilhem experiências e encontrem caminhos capazes de romper ciclos de silêncio e opressão.
Lei Maria da Penha completa 20 anos
Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha completou 20 anos em 2026. A legislação tornou-se o principal marco brasileiro de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.
O Agosto Lilás foi instituído nacionalmente pela Lei nº 14.448, de 2022. Durante o mês, órgãos públicos e organizações da sociedade civil promovem ações destinadas a esclarecer os direitos das mulheres, divulgar medidas protetivas e ampliar o conhecimento sobre os serviços de acolhimento e denúncia.
A Lei Maria da Penha estabelece que a violência doméstica não se limita à agressão física. Também são reconhecidas as violências psicológica, sexual, patrimonial e moral. Em situações de violência ou para buscar orientações, a Central de Atendimento à Mulher pode ser acionada gratuitamente pelo telefone 180, durante 24 horas. Em emergências, a orientação é ligar para a Polícia Militar pelo número 190.






