
Adolescente recebeu ameaças em grupo de WhatsApp após demonstrar apoio a Lula. Agressor também ameaçou agredir outros cinco colegas caso Flávio Bolsonaro perdesse a eleição.
Um estudante de 17 anos foi ameaçado de morte por causa de sua preferência política em uma escola do Distrito Federal. As ameaças foram enviadas por meio de áudios e mensagens em um grupo de WhatsApp formado por alunos da mesma turma. O caso foi divulgado neste sábado (31) pela Agência Brasil.
A vítima, identificada pelo nome fictício de Felipe, recebeu a mensagem: “Eu juro que amanhã se você for para a escola você não volta vivo”. Antes da ameaça, o agressor teria feito ofensas por causa do voto do adolescente em Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante a apuração do segundo turno das eleições presidenciais.
No mesmo grupo, o estudante responsável pelas ameaças afirmou que espancaria outros cinco colegas caso Flávio Bolsonaro (PL) perdesse a eleição. Em uma das mensagens, mencionou que usaria uma faca. Outro adolescente reagiu às publicações com curtidas e figurinhas de risadas.
Além das ameaças relacionadas à política, o agressor também enviou mensagens de intolerância religiosa contra colegas.
Adolescente deixou de frequentar a escola
Segundo a mãe de Felipe, identificada como Aline, o filho passou a semana sem frequentar as aulas após os episódios e ainda temia retornar à escola na segunda-feira. A família não havia registrado boletim de ocorrência por receio de exposição do adolescente e possíveis retaliações.
A mãe contou à Agência Brasil que a direção da instituição informou que o estudante responsável pelas ameaças foi transferido de escola. Já o aluno que demonstrou apoio às mensagens recebeu suspensão de quatro dias.
Felipe é um adolescente transgênero, mas, segundo a mãe, nunca havia enfrentado episódios de transfobia na escola. A família ficou surpresa com a violência motivada por divergências políticas.
Casos de violência política entre estudantes
O episódio ocorre em meio a relatos de intolerância política envolvendo crianças e adolescentes em diferentes regiões do país após as eleições presidenciais. As ocorrências incluem ofensas, provocações, intimidações e ameaças de violência física.
Os casos levantam preocupação sobre a reprodução, no ambiente escolar, de discursos de ódio e conflitos políticos presentes nas redes sociais e no debate público.
A reportagem da Agência Brasil não informou o registro de ocorrência policial nem a abertura de investigação criminal sobre o episódio.






