A ignorância financeira não é exclusividade dos jovens

12 de agosto de 2018

A ignorância financeira não é uma exclusividade dos jovens. Pesquisas apontam que a maioria das pessoas não sabe cuidar do próprio dinheiro, nem mesmo empresários. Levantamento recente do SEBRAE mostrou que 77% dos empreendedores autônomos que ganham até R$ 81 mil anuais nunca fizeram um curso ou treinamento em finanças. O que demonstra que o Brasil está atrasado com relação a nações mais desenvolvidas, onde isso é ensinado na escola.

Porém, culpar apenas a ausência da educação financeira nas grades curriculares soa superficial demais. O brasileiro é negligente, indolente, e não raro declara que “não gosta de ler sobre isso nos jornais”. Resumindo: o brasileiro médio não se interessa por um assunto que é fundamental em sua vida.

Quando falamos em “educação financeira” nem sempre percebemos a abrangência dessa expressão. Uma definição bem básica seria que a educação financeira “ensina sobre a mecânica do dinheiro e sua aplicabilidade”. Porém, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) foi além. Ela descreveu a educação financeira como um processo em que o indivíduo faz escolhas conscientes e se mantém bem informado a respeito da economia para, assim, elaborar a melhor forma de lidar com o seu dinheiro. Em suma, constituir e preservar um patrimônio.

Entender o básico de finanças evitaria a situação constrangedora – para dizer o mínimo – em que o país se encontra: 63 milhões de brasileiros estão inadimplentes (com contas atrasadas há mais de 90 dias) e 5 milhões de CNPJs estão negativados. Num contexto desses não há economia que funcione. O marasmo e a letargia que vemos no Brasil é apenas consequência disso. Vejam o tamanho da tragédia: o Censo brasileiro de 2016 previa uma população total de 207,7 milhões de habitantes. Desses, 111 milhões formariam a ‘força de trabalho’ – população entre 15 e 60 anos de idade, apta a trabalhar. Os inadimplentes, impedidos de tomar crédito, representariam 56,7% da força de trabalho. Ou seja: mais da metade da população economicamente ativa do país está impossibilitada de pedir empréstimo ou financiar algo.

Portanto, informação é fundamental. E não interessa QUANDO você vai começar a se interessar pelo tema. O importante é começar. Faça leituras, procure se acostumar com as páginas econômicas dos jornais e revistas; pergunte o que não entendeu. Faça cursos, treinamentos. Lembre-se que uma pessoa com sua vida financeira desorganizada é como alguém que pega o carro e sai sem destino definido. Mais cedo ou mais tarde ele terá problemas e arrisca nunca chegar a lugar algum.