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Racha no PL em Goiás e as ausências que gritam alto aos ouvidos do eleitor

Na liturgia da política, presença é gesto. Ausência, muitas vezes, é mensagem. E, no último fim de semana em Goiânia, o silêncio provocado por cadeiras vazias disse mais sobre o PL em Goiás do que qualquer discurso inflamado em cima do palco.

O não comparecimento de Wilder Morais ao evento organizado por Gustavo Gayer não pode ser tratado como um episódio trivial de agenda. Trata-se de um movimento político, calculado, ainda que não oficialmente assumido, que escancara uma divisão interna cada vez mais difícil de disfarçar.

Não é de hoje que os dois grupos caminham em trilhas paralelas dentro do partido. De um lado, Wilder busca se firmar como nome ao governo, apostando em uma construção mais pragmática, aberta a composições. De outro, Gayer investe na mobilização de base, no discurso ideológico e na tentativa de capitalizar o eleitorado mais fiel da direita. São projetos distintos, com métodos distintos, e, ao que tudo indica, cada vez mais incompatíveis.

A ausência também ganha contornos ainda mais simbólicos quando observada em conjunto com outro fato: a não participação de Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, nomes de peso que haviam sido associados ao evento. Em política, expectativas frustradas não são meros detalhes — elas sinalizam ruídos, hesitações e, muitas vezes, desacordos de bastidor.

O que se vê é um partido que, embora fortalecido nacionalmente, enfrenta em Goiás um dilema clássico: a disputa pelo protagonismo antes mesmo da definição do projeto comum. E esse tipo de conflito, quando não administrado com habilidade, tende a produzir um efeito corrosivo, fragmenta lideranças, confunde a militância e abre espaço para adversários mais organizados.

Há, ainda, uma questão estratégica que não pode ser ignorada. A divisão no PL ocorre em um momento em que o campo da direita busca consolidar forças para 2026. Em tese, seria o tempo de somar, não de subtrair. Mas a realidade mostra que, antes de construir alianças externas, o partido precisa resolver suas tensões internas.

O eleitor, por sua vez, observa. E, diferentemente do que muitos imaginam, percebe. A política contemporânea não permite mais contradições prolongadas sem custo. A incoerência entre discurso de unidade e prática de divisão cobra seu preço, seja na credibilidade, seja na capacidade de mobilização.

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