
Os debates eleitorais já foram o principal palco da democracia. Eram o momento em que candidatos expunham propostas, confrontavam ideias e permitiam ao eleitor comparar projetos de governo. Hoje, infelizmente, parecem ter se transformado em outra coisa: uma fábrica de vídeos para as redes sociais.
Os candidatos já não entram no estúdio pensando em convencer quem está em casa. Entram preocupados em produzir o melhor corte, a melhor lacrada e a frase de efeito que poderá viralizar no Instagram, TikTok ou WhatsApp. O adversário deixa de ser alguém a ser enfrentado no campo das ideias e passa a ser apenas o personagem ideal para um vídeo de 30 segundos.
Nesse ambiente, quem perde é o eleitor.
Discussões complexas são substituídas por provocações ensaiadas. Dados são lançados sem qualquer contexto. Respostas são interrompidas para que o embate renda manchetes e compartilhamentos. Ao final, pouco se sabe sobre saúde, educação, infraestrutura ou segurança pública. Mas todo mundo sabe quem chamou quem de mentiroso.
As próprias campanhas ajudaram a construir esse modelo. Cercaram os debates de tantas regras, estratégias e preocupações com repercussão digital que o conteúdo virou coadjuvante. A audiência, por sua vez, já assiste sabendo que, no dia seguinte, receberá apenas os trechos que confirmam suas próprias convicções.
O debate continua sendo um instrumento indispensável para a democracia. O problema é que deixou de ser pensado para o cidadão comum. Hoje, parece falar muito mais com jornalistas, militantes, estrategistas digitais e algoritmos do que com quem realmente precisa decidir o futuro nas urnas.
Enquanto a política disputar curtidas em vez de confiança, os vencedores dos debates talvez sejam apenas os editores de vídeo. E os derrotados continuarão sendo os eleitores.







