A vice-prefeita de Goiânia, Coronel Cláudia da Silva Lira, participou, nesta quarta-feira (5), do seminário “20 anos da Lei Maria da Penha: avanços, desafios e perspectivas para a proteção das mulheres”, realizado no Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO). Representando o prefeito Sandro Mabel, ela participou da abertura do evento, que reuniu autoridades, especialistas e representantes de instituições que atuam na prevenção e no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher.
Além de promover o debate sobre os avanços e desafios da Lei Maria da Penha ao longo de duas décadas, o seminário marcou o fortalecimento da política estadual de proteção às mulheres com a consolidação do Comando Regional Maria da Penha, estrutura responsável por coordenar os batalhões especializados sediados em Goiânia, Cidade de Goiás, Rio Verde e Águas Lindas de Goiás.
Em seu discurso, Coronel Cláudia destacou que, duas décadas após a promulgação da Lei Maria da Penha, o principal desafio permanece sendo garantir a efetividade da legislação diante das novas formas de violência. Segundo ela, a violência doméstica deixou de se restringir ao ambiente físico e hoje também alcança as relações mediadas pela tecnologia, exigindo respostas igualmente inovadoras.
“A casa sempre foi entendida como o lugar onde deveríamos nos sentir seguros. Mas hoje nós levamos o mundo para dentro dela por meio da tecnologia. O grande desafio é proteger também essa outra casa: a nossa mente e o nosso coração. A violência física não começa com a agressão. Ela muitas vezes nasce na violência psicológica, nas humilhações e no controle”, afirmou.
Coronel Cláudia destacou que o enfrentamento à violência contra a mulher depende da produção de conhecimento, da integração entre as instituições e do fortalecimento de políticas públicas capazes de ampliar a proteção às vítimas. Para a vice-prefeita, o seminário representa um espaço estratégico para o compartilhamento de experiências e o aprimoramento das ações preventivas. “Cada avanço nessa política pública significa mais segurança para mulheres, famílias e para toda a sociedade”, afirmou.
A vice-prefeita também relembrou sua trajetória na construção das políticas de proteção às mulheres em Goiás e destacou o simbolismo da criação do Comando Regional Maria da Penha, que passa a coordenar os batalhões especializados da Polícia Militar no estado. Emocionada, ela afirmou que a iniciativa consolida um trabalho iniciado há anos e fortalece a rede de proteção às mulheres. “Hoje vemos essa estrutura crescer e se fortalecer em todo o Estado de Goiás”, disse.
Durante a abertura, a promotora de Justiça Carla Brant Corrêa Sebba Roriz, do Ministério Público de Goiás, reforçou que o combate à violência contra a mulher depende da atuação conjunta das instituições e da sociedade. “Enquanto houver uma mulher vítima de violência no nosso Estado, nós estaremos juntos nesse enfrentamento. Ministério Público, Judiciário, Defensoria, forças de segurança e toda a rede de proteção precisam permanecer unidos para acolher e proteger essas mulheres”, afirmou.
O comandante-geral da Polícia Militar de Goiás, coronel Marcelo Granja, destacou que a criação do Comando Regional Maria da Penha representa mais um avanço na especialização do atendimento às mulheres em situação de violência. Segundo ele, a estrutura permitirá fortalecer o acompanhamento das medidas protetivas e ampliar a presença das equipes especializadas junto às vítimas.
Já a comandante do novo Comando Regional Maria da Penha, tenente-coronel Bruna, explicou que a nova estrutura permitirá dedicação exclusiva à coordenação dos batalhões especializados, fortalecendo a atuação integrada da rede de proteção e garantindo maior acompanhamento das mulheres atendidas.
Integração também avança em Goiânia
A participação da vice-prefeita no seminário ocorre poucos meses após a Prefeitura de Goiânia institucionalizar a Rede de Atenção, Proteção e Defesa às Pessoas em Situação de Violência, transformando em política pública permanente a integração entre saúde, assistência social, segurança pública, educação, sistema de Justiça e órgãos de proteção.
Coordenada pela gestão municipal, a iniciativa busca fortalecer o atendimento integrado, reduzir a revitimização das vítimas e ampliar o compartilhamento de informações entre os diversos serviços que compõem a rede de proteção.
Para Coronel Cláudia, iniciativas como a rede municipal e o fortalecimento do Comando Regional Maria da Penha seguem a mesma diretriz: nenhuma instituição enfrenta a violência sozinha. “Quando diferentes instituições atuam de forma integrada, conseguimos identificar sinais de violência mais cedo, proteger melhor as vítimas e impedir que situações de risco evoluam para casos ainda mais graves. Esse é o caminho para construir uma política pública cada vez mais eficiente”, concluiu.







