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Polícia investiga esquema que burlava fila de cirurgias do SUS em Goiás

Operação cumpriu nove mandados de busca contra pacientes, profissionais de saúde e servidores suspeitos de inserir informações falsas para priorizar procedimentos cirúrgicos.

A Polícia Civil de Goiás deflagrou, nesta sexta-feira (17), uma operação para apurar um suposto esquema de fraude no sistema de regulação de cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS). A investigação aponta que pacientes conseguiam prioridade para procedimentos eletivos por meio da inserção de informações falsas que os classificavam como casos de urgência.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão contra pacientes, profissionais da saúde e servidores municipais suspeitos de participação no esquema. Durante a operação, os policiais recolheram documentos e aparelhos celulares que serão analisados para identificar outros possíveis envolvidos.

Segundo a investigação, cinco pacientes de Caiapônia, no oeste goiano, teriam sido beneficiados após registros irregulares em sistemas municipais de regulação. Conforme a Polícia Civil, eles eram inicialmente classificados para cirurgias eletivas, mas posteriormente apareciam em outro município como pacientes que necessitavam de atendimento emergencial.

O delegado Ramon Queiroz informou que, até o momento, não há indícios de pagamento para obtenção da vantagem. A principal linha de investigação é que os pacientes tenham recorrido à influência política para conseguir alterar a classificação dos procedimentos.

“A polícia entende, até agora, que eles conseguiam isso por meio de apoio político. Procuravam algum político que conseguia burlar esse sistema”, afirmou o delegado.

De acordo com a corporação, ainda não foram identificados os agentes políticos que teriam intermediado as alterações.

As diligências também alcançaram Goiânia e Brazabrantes, onde foram cumpridos mandados contra pessoas apontadas como responsáveis por inserir ou validar os dados utilizados na fraude.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde informou que nenhum servidor estadual ou sistema de regulação administrado pelo Estado integra a investigação. A pasta destacou ainda que prestou apoio à Polícia Civil por meio da Gerência de Ações Estratégicas.

Já a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que acompanha o caso e afirmou que adotará as medidas administrativas cabíveis caso sejam confirmadas irregularidades envolvendo servidores do município.

A Prefeitura de Caiapônia declarou que também se considera vítima da fraude, sustentando que a regulação dos procedimentos era realizada por outro município e que a administração local não tinha ingerência sobre os registros investigados.

As investigações continuam para identificar a extensão do esquema e eventual participação de novos envolvidos.

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