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Pelo menos 11 secretários e auxiliares do primeiro escalão devem deixar o governo de Caiado

Uma movimentação silenciosa, porém intensa, já tomou conta dos bastidores do Palácio das Esmeraldas. Pelo menos 11 auxiliares diretos do governador Ronaldo Caiado (PSD) devem deixar seus cargos até o dia 4 de abril de 2026, prazo final de desincompatibilização para quem pretende disputar as eleições gerais de outubro. A saída atinge nomes estratégicos do governo e envolve projetos eleitorais que vão desde vagas ao Senado até candidaturas à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

A legislação eleitoral determina que secretários de Estado e dirigentes de autarquias e empresas públicas precisam se afastar definitivamente seis meses antes do pleito, marcado para 4 de outubro. Embora a maioria evite confirmar publicamente seus planos, interlocutores admitem que as exonerações já são tratadas como certas pelas equipes políticas.

Entre os nomes que aparecem no radar para a disputa majoritária está o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, citado como possível candidato a vice em uma eventual chapa encabeçada por Daniel Vilela (MDB) na corrida pelo governo estadual. O presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), Alexandre Baldy (PP), também surge como interessado em uma vaga no Senado. Já o presidente da Goiás Turismo, Roberto Naves, é mencionado tanto como possível suplente na disputa senatorial quanto como pré-candidato a deputado federal.

No cenário proporcional para a Câmara dos Deputados, despontam nomes como a secretária de Educação, Fátima Gavioli, o presidente do Detran-GO, Waldir Soares (União Brasil), e o presidente da Goinfra, Pedro Sales (União Brasil). Para a Assembleia Legislativa, aparecem o secretário do Entorno do Distrito Federal, Pábio Mossoró (MDB) — que ainda avalia se disputará vaga estadual ou federal —, o secretário de Infraestrutura, Adib Elias (MDB), além dos dirigentes Carlão da Fox, da Ceasa, e Francisco Jr. (PSD), da Codego.

Entre todos os citados, Fátima Gavioli foi uma das poucas a confirmar publicamente a orientação recebida. Durante agenda recente, ela afirmou que o governador pediu sua saída da pasta ainda em março. A secretária destacou que aguarda definições sobre seus próximos passos, mas deixou claro que pode colocar o nome à disposição caso haja entendimento político nesse sentido.

A debandada coletiva é vista, dentro do governo, como uma oportunidade estratégica para reorganizar o secretariado e fortalecer a base aliada. Com as vagas abertas, a tendência é que legendas como MDB, PP e União Brasil ampliem sua participação na administração estadual. O movimento é interpretado como parte da preparação para o ciclo eleitoral de 2026, que inclui tanto a pré-candidatura presidencial de Caiado quanto o projeto de continuidade do grupo político no comando do Estado.

Apesar da expectativa de mudanças, aliados afirmam que Daniel Vilela ainda não iniciou negociações formais para a recomposição das secretarias. A avaliação é de que o vice-governador deve utilizar o prazo legal para calibrar as escolhas e garantir que os novos auxiliares já assumam alinhados ao cenário sucessório.

O calendário eleitoral contribui para acelerar as articulações. Além do prazo de desincompatibilização, o mês de abril marca a chamada janela partidária, período em que deputados podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato. Em seguida, o processo avança para as convenções partidárias, previstas entre o fim de julho e o início de agosto, quando candidaturas e alianças serão oficializadas.

Após o registro na Justiça Eleitoral, a campanha nas ruas começa em 16 de agosto, enquanto o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão terá início no dia 28 do mesmo mês, seguindo até a véspera do pleito. Até lá, a principal contagem regressiva para o primeiro escalão do governo goiano é mesmo o limite de 4 de abril, data que deve redesenhar o mapa político do Executivo estadual e dar contornos mais claros à disputa eleitoral em Goiás.

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